Líderes da rebelião vão para a divisa com o MS


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OPERAÇÃO DE RISCO - O delegado Wanir da Silveira, que comandou a operação de transferência, orienta os integrantes do GOE sobre os procedimentos a serem adotados ao tirar os presos das celas: atenção total p
OPERAÇÃO DE RISCO - O delegado Wanir da Silveira, que comandou a operação de transferência, orienta os integrantes do GOE sobre os procedimentos a serem adotados ao tirar os presos das celas: atenção total p
Três dias após a rebelião seguida de incêndio, presos da cadeia do Jardim Guanabara, tidos como de mau comportamento, foram transferidos e mandados para penitenciárias distantes. Um dos destinos foi o presídio de Mirandópolis (SP), próximo à divisa com o Mato Grosso do Sul e a 500 quilômetros de Franca. Ao todo, 110 detentos pegaram o “bonde”. Fazem parte da relação criminosos ainda sem condenação e que teriam liderado a quebradeira que abalou as estruturas do prédio público. Na terça-feira, 11, outra centena de bandidos também deve seguir o mesmo caminho. Foi a maior transferência de presos já realizada em Franca. A remoção aconteceu em duas etapas e mobilizou um forte aparato policial. Quarenta policiais civis, 13 viaturas e um caminhão apropriado para este tipo de transporte foram mobilizados. Às 11h30, os integrantes do GOE (Grupo de Operações Especiais) entraram na cadeia e começaram a retirar os escolhidos. Primeiramente, foram removidos 25. Deixaram as celas em dupla e tinham os braços presos por algemas. Levaram apenas a roupa do corpo - camiseta, bermuda e chinelo de dedos ou tênis. Entraram calados no caminhão/camburão e não tinham a menor noção para onde seriam levados. Seguiram para cinco penitenciárias diferentes no interior do Estado. No período da tarde, outros 85 presos também foram transferidos em camburões e viaturas da Polícia Civil. Os veículos foram escoltados por policiais armados com fuzis e metralhadoras. “Montamos um forte esquema para fazer a transferência com segurança e tranqüilidade. Nossos homens estão totalmente preparados para evitar qualquer tipo de arrebatamento dos presos”, afirmou o delegado Wanir José da Silveira Júnior, que comandou a operação. [FOTO2] Presos temem ser transferidos, pois ficariam longe dos familiares e, principalmente, porque deverão ser recolhidos em unidades prisionais onde o regime disciplinar é muito mais rigoroso do que o verificado no Guanabara. O diretor da cadeia, Eduardo Lopes Bonfim, disse que teve liberdade para indicar os presos que achava necessário deixar Franca e que não só os condenados foram escolhidos. “Todos os detentos que estavam como chefes da rebelião foram transferidos, o mesmo acontecendo com os faxinas (aqueles que tinham acesso ao corredor) e com os que arrombaram as celas”. Os responsáveis pelo motim foram identificados por meio de fotos, filmagens e relatos de policiais. “Vão responder por formação de quadrilha armada, danos contra o patrimônio público, cárcere privado e seqüestro. Espero que peguem longas penas e que continuem no sistema penitenciário para dar sossego à população de Franca”. As visitas e entregas de sacolas com alimentos estão suspensas por tempo indeterminado. Mesmo com a remoção, a cadeia ainda ficou com 360 presos. A capacidade aceitável é de 216. Na terça-feira, a polícia deverá transferir mais 120. Todos os dias, de oito a dez criminosos, em média, dão entrada no presídio, o que sobrecarrega o sistema e mantém a constante superlotação.

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