O melhor remédio


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N ão são poucas as pessoas com hipocondria, que têm sua farmacinha particular. É analgésico, é calmante, é colírio, é diurético, é antigripal, é expectorante, é antiácido, é laxante, é desentupidor nasal... A automedicação é um hábito arraigado. Que faz mal. Tem gente tão “encanada” que usa medicamento mesmo sem sentir nada. É para prevenir, dizem. Dor, tosse, indigestão, resfriado ou seja lá que mal for já é combatido antes mesmo de surgir. Chegamos a um ponto que não se estranha a pergunta: a gente toma remédio porque adoece ou adoece porque toma remédio? E mais: os fabricantes de medicamentos querem a cura ou a doença? Sugestionáveis, ao verem as propagandas do antiácido, do digestivo, do “regulador” hepático, as pessoas ficam estimuladas a exagerar na comida e na bebida. Vocês acham que a indústria de remédio gasta uma fortuna com propaganda para ensinar hábitos saudáveis ao consumidor ou para vender seu produto? É interesse financeiro ou responsabilidade social? Reflitam. Tensão, ansiedade, fobias, excesso de preocupação, pressa, alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo, drogadição e tantos outros males caracterizam a vida nos dias que correm, principalmente nas cidades maiores. Num texto sobre o mal de Alzheimer, o psicólogo e escritor Roberto Goldkorn, espantado com o aumento da incidência da doença, indaga: “Finalmente nossos hábitos de vida ‘moderna’ estão enviando a conta?”. Pois é! E tome remédio. Acho que está passando da hora de perceber que o bom para a saúde está no mercadinho da esquina, na feira matutina, nas hortaliças e frutas do quintal, no carrinho do verdureiro que buzina, e não nas farmácias e drogarias da vida. A saúde depende de duas coisas: boa alimentação e hábitos físicos e mentais saudáveis. A comida, obviamente, vem em primeiro lugar, pois não é possível ter cabeça boa se o corpo padece de desnutrição. Assim, corrigir a alimentação é o primeiro passo. O segundo é trabalhar a psique. É necessário ter atitudes positivas e pensamentos sadios. Idéias mórbidas e tristeza minam a nossa resistência e abrem a porta para muitos males. É preciso ter alegria, disposição. Não há melhor remédio do que uma mente arejada, uma bela risada, umas boas horas de sono, aquela caminhada. É essencial apreciar a beleza que nos cerca, o esplendor da vida, a natureza; não deixar as coisas ruins estragar as boas. Não se deve apenas tolerar as pessoas; é bom ter apreço por elas, ficar de bem com a vida, com o mundo. A vida tem o peso que a gente dá a ela. Quem determina a dificuldade das coisas a fazer somos nós. Sentir-se escravizado ao trabalho, a certos compromissos é torná-los insuportáveis. Quando se imagina um trabalho mais penoso ou difícil do que ele realmente é, a energia gasta para executá-lo é muito maior do que a necessária. É bom repetir sempre: ‘Eu me sinto bem aqui, gosto de trabalhar e sentir-me útil, de ajudar os outros, sou feliz’. A energia é nosso combustível e não pode ser desperdiçada. Não faz sentido ficar de mau humor e deixar de aproveitar o dia só porque o time do coração perdeu. Repetir à exaustão que está cansado, estressado, desanimado, só serve para agravar tais estados. A natureza de certas coisas não é possível mudar, mas a influência delas na nossa vida dá para controlar. Sabe o segredo para não se tornar dependente de drogas? Ficar longe delas. Nada de emoções reprimidas, pensamentos negativos, ociosidade mental. Por que certas pessoas chegam bem aos cem? Comida nutritiva, mente ativa, prazer no que faz, alegria de viver: é o melhor remédio. PAULO PEREIRA DA COSTA é promotor de Justiça e autor do livro Pensando na Vida (disponível na Livraria Martins). E-mail: paulopereiracosta@uol.com.br

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