Se por um lado a vida moderna, com seus avanços tecnológicos constantes, contribui com grandes avanços para a melhoria da qualidade de vida, por outro o ritmo acelerado torna-se responsável pela crescente demanda nos hospitais e consultórios médicos, principalmente aqueles especializados em cardiologia. Dor no peito, cansaço excessivo, arritmia e até paradas cardiorrespiratórias são problemas cada vez mais freqüentes. E o que antes parecia apenas uma preocupação para os quarentões, vem acometendo também os mais jovens.
Para comprovar essa percepção basta ficar de olho nos noticiários esportivos. De acordo com os dados do site futebolhistoria.blogspot.com, entre os anos de 1973 e 2007, pelo menos 24 jogadores de futebol morreram depois de sofrerem ataques cardíacos.
O cardiologista Hélio Rubens Crialezi também confirma a tese. “O perfil dos pacientes vem mudando de uns 20 anos para cá. Atualmente, de cada cem consultas realizadas, 15 são destinadas a atender pacientes com idade entre 17 e 29 anos; antes, esse número era bem menor, em torno de cinco”.
Nesta faixa etária, as mortes ou ataques súbitos podem sugerir um problema congênito, caso em que a pessoa já nasce doente. Ele é silencioso e dificilmente é descoberto na infância, principalmente porque são poucos os pais que agendam consultas para seus filhos.
Vale lembrar, porém, que, a depender da gravidade da doença, a descoberta na juventude pode já ser tarde demais. “A pessoa que tem cardiomiopatia hipertrófica, uma doença genética que atrofia a musculatura do coração, não pode fazer exercícios físicos. Se ela não souber disso, pode, conforme o esforço, até morrer durante uma partida de futebol, por exemplo”.
O consumo contínuo de drogas e álcool também pode acarretar problemas, entre eles, a miocardite tóxica ou alcoólica, segunda preocupação dos médicos. Em ambos os casos há uma inflamação no miocárdio (parede muscular do coração) provocada pela intoxicação das células musculares do coração. “As células inflamam e o organismo tenta fazer a cicatrização do músculo. Como a pessoa expõe o coração ao álcool ou a drogas continuamente, o processo inflamatório não cura. A tentativa de cicatrização constante leva a fibrose (estagnação) do miocárdio, o que pode levar a morte”, disse Nilson Salomão, também cardiologista.
O aumento dos fatores de risco, como estresse, obesidade, hipertensão, sedentarismo, diabetes e colesterol alto, também é um dos principais motivos para o aumento das doenças cardíacas em pessoas com menos de 30 anos, e as conseqüências decorrentes desse novo estilo de vida não são tão agradáveis assim. “Diante desses problemas, o infarto torna-se mais comum e seus sintomas vão desde dores leves no peito, falta de ar, arritmias cardíacas até inchaço do coração e a morte”, garante Hélio.
O revisor de costura João Paulo Ferreira, 26, não quis pagar um preço tão alto para gozar a liberdade de levar uma vida desregrada. Depois de ser internado com arritmia cardíaca provocada pela pressão alta, ele aprendeu a lição. “Sempre fui muito sedentário, bebia muita cerveja e não abria mão de uma comida gordurosa. Agora caminho e ando de bicicleta quase todos os dias”.
Ele teme sofrer tudo outra vez, por isso segue à risca a dieta recomendada pelo médico, sem se esquecer dos medicamentos. “Já perdi dez quilos. Mesmo assim, não deixo de me consultar a cada dois meses. Eu achei que isso nunca aconteceria comigo, mas não quero chegar aos 40 correndo riscos de morrer de infarto. Não é tão difícil assim ser saudável”, desabafa João.
Não mesmo. Basta fugir do excesso, ficar de olho nos possíveis sintomas e agendar consultas periódicas com o cardiologista. Além disso, qualquer pessoa que se predisponha a fazer exercícios físicos precisa de um diagnóstico médico. No caso dos atletas, pessoas sujeitas ao esforço máximo, ele precisa ser mais detalhado. “Um exame de eletrocardiograma é fundamental”, orienta o preparador técnico da Francana, Anderson Nicolau.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.