A criação de um Banco de Projetos, apresentada pelo economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES, divulgada pelo presidente Lula, não é uma idéia nova, mas nem por isso deixa de ser brilhante e atual. A novidade está em se tratar de um banco de projetos setorizado para projetos prioritários da infra-estrutura.
A primeira vez que a vi foi há quase 50 anos, lançada pelo economista Miguel Colassuono, então secretário de Planejamento do governador Paulo Maluf. Pretendia interiorizar o crescimento econômico de São Paulo, já então fortemente concentrado na capital paulista e ABC.
Quando tive a honra de ser o economista responsável pelo Instituto de Economia da ACIF, em Franca, criado pelo espírito público do presidente Paulo Rubens de Almeida à altura dos anos 90, retomei-a. Preocupava-me então o elevadíssimo nível de desemprego da indústria calçadista, cuja ineficiência produtiva começava a ser desnudada com a abertura de mercados propiciada pelo governo Collor.
A discussão que propus passava pelo levantamento das vocações econômicas da região de Franca, com o objetivo de detectar oportunidades de negócios sem prejuízo da indústria calçadista, mas até mesmo aproveitando as transferências de habilidades dos competentes operários francanos. Como conseqüência, seria criado um Balcão de Projetos, retomando as idéias de Colassuono, a ser ofertada a investidores acoplados a garantia de financiamento.
A clarividência de Paulo Rubens, meu presidente na ACIF, o fez apresentar as linhas gerais do projeto ao então secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Dr. Delben Leite, logo guindado ao cargo de presidente do BNDES.
Lembro-me que, na época, dois ramos industriais se sobressaíam, sendo eles a indústria de confecções e serralheria. Infelizmente, a idéia foi abortada por certas forças estranhas e inexplicáveis.
A revista Conjuntura Econômica da FGV chegou a publicar, apesar do meu desinteresse, o resumo de algo ligado à indústria calçadista de Franca, na seção Cartas, no número de outubro de 1999, à página 5. Esta publicação, de parte da minha manifestação sobre um artigo publicado na revista de agosto ou setembro/99, só foi feito porque o editor-chefe da revista me telefonou pedindo autorização, e me dizendo que a metodologia por mim adotada deveria ser discutida e analisada por outros estudiosos de economia regional.
Infelizmente, essa pequena e despretensiosa manifestação antevia que as vantagens comparativas ensinadas por Davi Ricardo seriam implacáveis com a indústria calçadista de Franca, naquele tempo com baixa produtividade e vivendo, no que tange às suas exportações, do artificialismo cambial paternalista.
A questão do Balcão de Projetos continua atual e poderia ser retomada pelo Poder Público não apenas interessado em realizar obras públicas, mas principalmente em criar condições para o desenvolvimento humano e criação de oportunidades de inserção do ser humano, com dignidade, no processo produtivo.
OZIEL CHAVES é economista.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.