Franca na contramão do Brasil


| Tempo de leitura: 2 min
Real forte, dólar baixo, preço dos importados mais baixo. O momento favorável é utilizado por industriais para comprar equipamentos e maquinário. Assim, tornam-se mais competitivos. Isso tudo menos em Franca. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que, quando se fala em importação de bens de capital, Franca está na contramão do Brasil e dos principais pólos calçadistas do País. Em todo o ano de 2007, a cidade registrou uma queda de 32% nos valores gastos com a compra de bens de capital. O total passou de US$ 3,387 milhões em 2006 para US$ 2,292 milhões no ano passado. No Brasil, o aumento foi de 24% (de US$ 26,72 bilhões para US$ 33,4 bilhões). Não é só na comparação com o Brasil que Franca perde feio. Os demais pólos calçadistas seguiram a tendência nacional e também investiram mais em equipamentos. Novo Hamburgo (RS), por exemplo, em 2007 comprou 34,71% a mais em produtos vindos do exterior do que em 2006. A diferença das importações de Franca em comparação com a média nacional também foi notada no primeiro mês do ano. Apesar de, na comparação com janeiro de 2006, a compra de bens de capital ter tido um aumento de 3%, passando de US$ 56 mil para US$ 58 mil, o crescimento foi muito abaixo da média nacional, que ficou em 51,18%. Entre os principais produtos da pauta de importação de Franca, o item “Máquinas e aparelhos para preparação e curtimento de couro” caiu quase que pela metade em 2007, passando de US$ 737,9 mil dólares para US$ 378,4 mil, uma queda de 48,72%. As “partes de outras máquinas para costurar” também apresentaram queda, só que em um índice menor, de 28,14%. Neste caso, as compras passaram de US$ 416,7 mil em 2006 para US$ 299,43 mil. Para o diretor do Grupo Amazonas, Saulo Pucci, esta diferença entre a capital do calçado e o resto do País e dos demais pólos calçadistas se dá por causa do “timing” das empresas francanas. “Muitas empresas grandes no Sul trabalhavam fortemente com exportação e muito pouco no mercado interno. Elas começaram a sentir muito mais forte lá atrás, no passado. Esse pessoal descobriu que precisavam investir em moda, design, profissionalismo e competitividade. Então se tem uma máquina lá fora, eles estão indo buscar. Franca, como trabalhava muito mais no mercado interno, com menos exportações, está começando a sentir agora”. Já o economista Hélio Braga coloca a indústria francana, que produz maquinário, como uma das justificativas para o baixo índice. “Nós temos que levar em consideração que Franca possui uma indústria de bens de capital, que pode viabilizar a aquisição de máquinas e equipamentos sem a necessidade do expediente da importação”. Outros fatores que explicariam isso seria a diferença das dinâmicas de crescimento das empresas e o grau de obsolescência.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários