Funcionários, R$ 4,05 milhões; bancos, R$ 9,25 milhões; fornecedores R$ 5,28 milhões; total: R$ 18,58 milhões. Esse é o valor devido pela Calçados Agabê a credores de Franca e da cidade de Aracati (CE). A lista com o nome de todos eles está publicada hoje no caderno Classificados do Comércio. Eles têm 15 dias para impugnar os valores apresentados. O procedimento é mais uma das fases da recuperação judicial pedida pela empresa que ainda não tem data para terminar.
A Agabê entrou com pedido de recuperação na Justiça em 1º de fevereiro, mesmo dia em que dispensou, de uma só vez, 500 trabalhadores e encerrou sua produção na fábrica de Franca. Com o pedido aceito pelo juiz, ela ganha prazo para quitar suas dívidas e, se quiser, voltar a produzir. Mas, antes, terá de apresentar um plano para o pagamento desses débitos. A empresa tem até dia 10 de maio para cumprir essa determinação.
Depois de entregue, o plano deverá ser discutido pelos credores em uma assembléia. Se aprovado, começará, então, a ser colocado em prática. Enquanto o processo estiver em andamento, todas as ações e execuções judiciais de dívidas contra a Agabê ficam suspensas.
Caberá ao contador Ernesto Volpe Filho, nomeado pela Justiça, a fiscalização de todo o processo. É a ele que os credores devem procurar caso discordem dos valores apresentados pela empresa.
Quem não contestar o débito receberá exatamente a quantia publicada hoje pela Agabê. Para atender os credores, Volpe estará, até o dia 28, no prédio da Avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, 3250, onde funciona a Agabê. O horário de atendimento será das 7h30 às 10h30.
Reginaldo Sthephanelli, advogado da empresa, disse que a diretoria não descarta vender patrimônios, hoje estipulados em R$ 23 milhões, para quitar suas dívidas, mas a prioridade será a retomada dos negócios. “Ela pode até vender patrimônio para garantir a dívida, mas o objetivo é produzir, já que a empresa tem bastante pedidos e está fabricando 2 mil pares na fábrica de Aracati. Em Franca, deve voltar a produzir em breve, licenciando a marca a outras fábricas”.
Ainda segundo o advogado, no plano de recuperação que deverá ser apresentado à Justiça, mas ainda não está pronto, os funcionários terão prioridade. “Infelizmente não há como apresentarmos uma data para que esse pagamento aconteça”.
O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, acredita que, por parte dos funcionários, não haverá divergências em relação ao plano de recuperação. Segundo ele, o sindicato acompanhará todo o processo, assim como aconteceu na Calçados Samello, que também enfrenta o processo de recuperação judicial há mais de um ano. “Todas as ações que precisarem ser feitas, vamos fazer”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.