A franja de Alinne Moraes, o chanel desfiado de Débora Falabella, as polêmicas mechas platinadas de Susana Vieira, o longo de Gisele Bündchen e até o cabelo curto da jornalista Fátima Bernardes são os penteados que estão fazendo a cabeça das mulheres brasileiras e francanas.
A consultora de moda Michele Cintra garante que hoje tudo que aparece na televisão influencia a moda em geral. “A moda, por exemplo, de uma calça de cós alto, às vezes é uma tendência e não consegue ‘pegar’, mas quando uma atriz aparece na novela, cai no gosto popular e as pessoas passam a aceitar e adquirir a tendência”, explica.
Mas nem sempre tudo o que está na moda fica bem para qualquer pessoa. O longo platinado de Susana Vieira, a Branca de Duas Caras (Globo), divide opiniões. “É preciso ter cuidado para não cair no ridículo. O cabelo da personagem foi inspirado na estilista Donatella Versace. Para usar esse modelo a mulher deve ter um estilo próprio e estar segura de si”, disse, ressaltando que na hora de mudar o visual a melhor coisa a fazer é consultar um cabeleireiro.
Outras personagens da novela Duas Caras também são bastante copiadas. Débora Falabella, que interpreta a mocinha Júlia, é muito citada como exemplo de bom gosto. O corte dela está em alta: chanel desfiado na ponta, com a franja mais curtinha.
O chanel mais comprido nas pontas, de Maria Paula, vivida pela atriz e cantora Marjorie Estiano, também ganha destaque. Segundo a cabeleireira Aneti dos Santos, o corte fica bem para cabelos lisos e sem muito volume.
A franja reta e grossa, que era presença garantida nos cabelos das paquitas e apresentadoras infantis nos anos 80, nunca saiu totalmente de uso e ganhou novos estilos. Agora volta com tudo, desconectada e desfiada, e faz sucesso no visual da vilã Sílvia, interpretada por Alinne Morais.
Além de ter uma semelhança física com a atriz, a supervisora Estael Andrade, 21, que até fevereiro usava um cabelo ondulado e comprido, resolveu “copiar” o corte da personagem. “Eu sempre tive vontade de fazer franja e várias pessoas me aconselharam a mudar”, disse.
Mas manter o cabelo bonito não é tão fácil quanto parece. Para economizar, Estael aprendeu a fazer a própria escova em casa. “Estou curtindo o novo visual, mas dá muito trabalho para mantê-lo na moda”, afirma.
Há quatro anos a cabeleireira Márcia Oliveira, 36, usava um cabelo comprido e encaracolado. Quando a novela Da Cor do Pecado começou a ser exibida, ela resolveu mudar o visual inspirada na atriz Giovanna Antonelli e acabou se identificando com o corte.
“Descobri o meu estilo. De lá para cá o cabelo curto se popularizou. Nestes anos mantenho o comprimento, mas sigo as tendências fazendo mudanças na franja, às vezes um corte comportado, outras vezes mais despojado”, disse.
Engana-se quem acha que os modelos inspiradores das mulheres estão só nas novelas. As jornalistas Fátima Bernardes, que usa um chanel desconectado, e Sandra Annenberg, que prefere o curto com franja estragada (bem desfiada) também inspiram os cortes.
A cabeleireira Aneti conta que a maioria das clientes pede um corte que viu na televisão em geral. “Nós orientamos na escolha, mas muitas vezes quem não tem o cabelo ideal para determinado corte pode aliar a opção a uma escova inteligente (reduz volume, hidrata e dá brilho) ou progressiva (alisa). A dica é fazer um corte prático que acompanhe o dia-a-dia”, disse.
Segundo a cabeleireira Márcia, 40% das suas clientes chegam ao salão com uma idéia de corte, mas muitas vezes não é o ideal.
“Utilizo a técnica do visagismo, que é uma avaliação da estrutura física da pessoa para harmonizar o corte e as cores”, explica.
No seu salão, o campeão de pedidos, entre as mulheres de 18 a 30 anos, é o cabelo by Gisele Bündchen. “Acho legal a televisão popularizar os cortes e ditar a moda. Aquele cabelo comprido, reto e chapado está fora de moda. Hoje em Franca várias pessoas usam cabelos modernos e desfiados”, avalia.
Se antes bastava ter um simples curso de corte de cabelo para atender as mulheres, hoje é necessário muito mais. “O profissional de beleza deve ficar antenado com as tendências de moda para atender às exigências e expectativas do público feminino”, afirma.
Para a psicóloga e jornalista Vanessa Maranha, o modismo é cultural. “As pessoas se espelham nas que elas admiram. A tentativa de ficar com a aparência parecida é uma forma inconsciente de incorporar ou fazer parte de uma determinada tribo ou classe social. Nos adolescentes esse comportamento é mais evidente e só é considerado prejudicial quando a busca se torna obsessiva”, disse.
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