Não quero ganhar na Mega-Sena


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Não quero ganhar na Mega-Sena. Pronto. Mas quero deixar claro que não rasgo dinheiro, não como excrementos nem me jogo na frente de carros em alta velocidade. Não sou doido, ou talvez seja só um pouquinho, como convém aos radialistas e jornalistas. Sem um pouco de loucura, como viver neste mundo estranho? Ganhar dezenas de milhões de reais para fazer o quê? Ainda mais nesse mundo violento. Engraçado é que não quero ganhar, mas, como todo o brasileiro jogo na Mega-Sena, principalmente quando está acumulada. Só que agora comecei a me preocupar ao pensar nas conseqüências se for eu o premiado. Serão tantos falsos amigos que se aproximarão querendo um quinhão para operar das hemorróidas, extraírem os dentes do siso, ou coisa pior. Parentes, costumam aparecer até os da quinta geração. E as tias querendo fazer reforminha de cinqüenta mil reais na casa? Primas velhas encruadas, aquelas que não se casaram, querendo realizar sonho de conhecer Fernando de Noronha e Camboriú costumam aparecer também. Seqüestro é bom ficar esperto. Seqüestram filhos, tios, sogras e até a vozinha. Torturam-na no pau-de-arara até você pagar o resgate, isso quando não pegam o próprio ganhador e começam a brincar de ‘Bernardão’ até você soltar meia dúzia de malas cheias de notinhas de cem reais. Deus me livre! Entretanto, o azar de ganhar na Mega-Sena não é apenas quanto à violência e ao puxa-saquismo falso de certos amigos e parentes. Que graça tem, afinal de contas, ganhar vários milhões. Que graça há em você poder viajar para onde quiser, qualquer cidade, país ou continente e ficar hospedado nos melhores hotéis do planeta. Imaginem o tédio que seria um milionário ficar hospedado num hotel 5 estrelas em Paris, por exemplo, ou Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Deve ser uma chatice freqüentar restaurantes com cozinha internacional, escolher os melhores pratos do cardápio (independente do preço) e os mais nobres vinhos. Que mau gosto seria comer um chocolate quente genuinamente suíço em Zurich. O que haveria de bom em degustar um bacalhau na Noruega, ou um queijo na Holanda, azeite e azeitona na Grécia, vinho do Porto em Lisboa, damascos na Turquia, yakisoba na China, sashimi no Japão ou saborear um uísque na Escócia. Como seria sem emoção gastar o que quiser fazendo compras em shoppings de Londres ou Nova Iorque. Desagradável também seria passar uma temporada no Havaí, Cancun, Aruba, Costa do Sauípe ou Miami Beach. Enfadonho então ficar algumas semaninhas entre Las Vegas, Orlando e Los Angeles. Ganhar na Mega-Sena não teria graça mesmo. Que coisa mais horrível deve ser depositar milhões e faturar R$ 15 ou R$ 20 mil/dia de juros, sem ter que precisar trabalhar e agüentar chefe chato. Comprar dois ou três carros importados 0 km então seria uma melancolia, daria uma depressão danada. Eu jogo freqüentemente, confesso. Mas quero acertar só a quina. Algumas notinhas de cinqüenta já dariam para eu, modestamente, arrumar algumas coisinhas, que necessitam reparos urgentes. Queijo não precisa ser europeu. Uma peça meia-cura do Peg Leve da Marinalva, ali na Estação, com doce de leite feito pela minha sogra, Dona Leonor, já me deixariam para lá de satisfeito. Depois continuaria tocando minha vida, escrevendo, indo à Praça da Estação na esperança de vê-la reformada, visitando os poucos e bons amigos e assistindo aos jogos da Francana e do nosso basquete. Quer coisa melhor? 120 MIL POR MÊS Este País continua a nos surpreender. Você sabe qual é o salário mais alto do Brasil? É de um executivo no Sudeste, que ganha R$ 120 mil, que vem a ser 1.714 vezes maior do que o menor, de R$ 70,00, pago por uma empresa privada no setor de serviços. A revelação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que não divulga o nome do cara que ganha essa fábula por mês e nem o que ele faz por merecer. Esse precisa ganhar na Mega-Sena? E que empresa é essa que fica à margem da lei pagando miseráveis R$ 70 reais? NEGATIVO A violência desenfreada que toma corpo a cada dia no País tem uma razão de ser que somente as autoridades não enxergam. A vagabundagem patrocinada pelo presidente da República que, através da distribuição de benesses com o dinheiro de quem trabalha, incentiva para que essa gente não se preocupe em trabalhar e viver com dignidade. Na verdade, os que recebem não querem esmolas. Querem - isto sim - condições de trabalho para o sustento honroso de suas famílias. Já o governo brasileiro pensa ao contrário e age na contramão do desenvolvimento. É o sistema que os brasileiros conscientes são obrigados a engolir. Até quando? Eis a questão. POSITIVO Sei, você não gosta do insípido chuchu, a maioria refuga. Pois saiba que apesar de desenxabido, o chuchu possui alto teor de fibras e é importante fonte de minerais. O que mais a dizer sobre o chuchu? Ah, sim, quando cozido sem sal, é ótimo contra pressão alta. E custa tão pouco. CACHORRO MAL-EDUCADO Um cachorro faz xixi na perna de um ceguinho que estava parado na esquina. Ao sentir o líquido, o ceguinho enfia a mão no bolso e oferece uma bolacha para o cachorro. Ao ver a cena, uma velhinha comenta: - Nossa, como você é bonzinho! O cachorro fez xixi em sua perna e você ainda dá comida pra ele! - Que nada, senhora. Eu quero é saber onde está a cabeça dele pra dar uma bengalada!

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