Todas as visitas ou sacolas com alimentos que entram na cadeia são (ou deveriam ser) revistadas pelos carcereiros. A fiscalização minuciosa foi determinada pela direção para evitar que produtos ilícitos chegassem às mãos dos presos. A menos de dois metros do portão de acesso à galeria onde ficam os criminosos, foi instalado um detector de metais. Desnecessário dizer que o equipamento tem a finalidade de brecar o ingresso de facas e, principalmente, revólveres.
Causou indignação na cúpula da Polícia Civil o fato de o carcereiro Simei Morais ter sido tomado refém por um preso armado com um revólver calibre 38. Como a arma foi parar dentro das celas? “Esta é a grande interrogação que precisa ser esclarecida.
Vocês podem ter certeza de que as responsabilidades serão apuradas com seriedade. Não se pode admitir que fatos como estes aconteçam”, repudiou o delegado Daniel Paulo Radaelli, responsável pelo Cinpol (Centro de Inteligência da Polícia Civil).
Na opinião do experiente policial, uma arma de fogo não entra por acaso na cadeia. A possibilidade de que possa ter havido, no mínimo, um vacilo na revista será apurada. “Temos que apurar quem, como e em qual circunstância fez com que o revólver entrasse no presídio. Quem deixou ou facilitou, colocou em risco a vida de parceiros de trabalho e de pessoas dignas que fazem seu serviço com retidão”.
O delegado seccional, Maury de Camargo Segui, também classificou o episódio como lamentável e informou que a Corregedoria da Polícia Civil abrirá sindicância interna para apuração e eventual punição.
“É muito grave saber que uma arma de fogo foi parar nas mãos de presos dentro da cela. Isto contraria todas as regras de segurança. Vamos apurar e, se houver indício de dolo, um inquérito policial será aberto. A princípio, todos são suspeitos. Espero chegar ao nome do responsável em breve”.
REVISTA
A Polícia Civil acredita que o revólver tenha entrado na cadeia no intervalo de uma semana. No dia 25 de fevereiro, uma a revista foi feita nas celas e os policiais encontraram “apenas” dez telefones celulares, carregadores, baterias e porções de maconha. A faxina aconteceu justamente por causa de ameaças de uma onda de rebeliões simultâneas em todas as unidades policiais do Estado. A ação durou cerca de três horas e foi acompanhada por representantes do Ministério Público. Na oportunidade, todos os presos foram fotografados para a atualização do álbum digital de criminosos.
QUERO COMIDA
Por causa dos estragos causados pela rebelião e pela necessidade de limpar a cadeia, os presos não receberam as marmitex ontem. A situação provocou revolta e, por meio de familiares (pelas evidências alguns celulares permaneceram nas celas), os detentos tentaram mobilizar a imprensa. De acordo com os funcionários do presídio, a situação deverá se normalizar hoje. Ao colocarem fogo na cadeia, os detentos também ficaram sem seus colchões, cobertores e parte das roupas.
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