A impressão é de que o prédio foi atingindo por uma bomba devastadora. Vinte horas depois da rebelião, as paredes da cadeia ainda exalavam forte caloria e cheiro de queimado em um cenário de destruição: paredes rachadas, ferros retorcidos, fiação elétrica danificada e toneladas de entulho. As precárias condições se tornaram insustentáveis. Com a estrutura abalada, a interdição do presídio parece ser uma questão de tempo.
Centro e trinta policiais civis e 12 funcionários da Prefeitura passaram toda a quarta-feira limpando a bagunça causada pelos presos no interior da cadeia. O incêndio resultou em cerca de cinco toneladas de entulho. Restos de roupas, colchões e produtos eletrônicos queimados ficaram espalhados pelo pátio e corredores.
Um caminhão basculante precisou dar cinco viagens para levar todo o lixo para o aterro sanitário. “O estrago causado foi muito grande. Cinco celas foram totalmente danificadas pelo fogo. O prejuízo em termos de patrimônio é enorme. A estrutura da cadeia está comprometida. Acredito eu que o prédio não tem condições de segurança para manter os presos”, afirmou o delegado Wanir José da Silveira Júnior.
A Polícia Civil informou que requisitará a realização de um laudo técnico para avaliar a situação do prédio. “É possível que parte da cadeia seja interditada. A situação é nociva aos presos e policiais. É uma questão de saúde pública”. A direção ainda aguarda a liberação de vagas no sistema penitenciário para efetuar a transferência de cerca de 200 presos. Enquanto isto, os que ocupavam as celas destruídas foram redistribuídos para outras celas, algumas das quais queimadas pelo incêndio e ainda com as paredes sujas e com forte cheiro de fumaça. “As condições são péssimas. Precisamos fazer um trabalho com a Promotoria com o Estado para que ocorra a interdição. A cadeia não tem condição de uso”, disse o advogado Gilmar Machado da Silva, nomeado pela OAB para acompanhar o caso.
Convocada por um dos presos para auxiliar no fim da rebelião, a advogada Ariane dos Anjos veio de Araraquara ainda na noite de terça-feira e também acompanhou de perto os presos e a remoção dos entulhos. Há sete anos, ela é defensora de Marcos Willians Herbas Camacho, o ‘Marcola’, líder da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Durante a varredura na cadeia, os policiais retiraram das celas quase duas dezenas de televisores, celulares, facas, barras de ferro, pedaços de pau, máquinas de fazer tatuagem e um pacote com centenas de espetinhos de madeira. “A princípio, as visitas e a entrega de sacolas estão suspensas. Preciso saber quantos presos serão transferidos para que eu possa determinar as punições” disse o delegado Eduardo Lopes Bonfim, diretor da cadeia.
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