Cadeia do Guanabara deve ser interditada


| Tempo de leitura: 2 min
Rebelião de sete horas deixa rastro de destruição na cadeia do Jardim Guanabara. Danificado, prédio pode ser demolido
Rebelião de sete horas deixa rastro de destruição na cadeia do Jardim Guanabara. Danificado, prédio pode ser demolido
A impressão é de que o prédio foi atingindo por uma bomba devastadora. Vinte horas depois da rebelião, as paredes da cadeia ainda exalavam forte caloria e cheiro de queimado em um cenário de destruição: paredes rachadas, ferros retorcidos, fiação elétrica danificada e toneladas de entulho. As precárias condições se tornaram insustentáveis. Com a estrutura abalada, a interdição do presídio parece ser uma questão de tempo. Centro e trinta policiais civis e 12 funcionários da Prefeitura passaram toda a quarta-feira limpando a bagunça causada pelos presos no interior da cadeia. O incêndio resultou em cerca de cinco toneladas de entulho. Restos de roupas, colchões e produtos eletrônicos queimados ficaram espalhados pelo pátio e corredores. Um caminhão basculante precisou dar cinco viagens para levar todo o lixo para o aterro sanitário. “O estrago causado foi muito grande. Cinco celas foram totalmente danificadas pelo fogo. O prejuízo em termos de patrimônio é enorme. A estrutura da cadeia está comprometida. Acredito eu que o prédio não tem condições de segurança para manter os presos”, afirmou o delegado Wanir José da Silveira Júnior. A Polícia Civil informou que requisitará a realização de um laudo técnico para avaliar a situação do prédio. “É possível que parte da cadeia seja interditada. A situação é nociva aos presos e policiais. É uma questão de saúde pública”. A direção ainda aguarda a liberação de vagas no sistema penitenciário para efetuar a transferência de cerca de 200 presos. Enquanto isto, os que ocupavam as celas destruídas foram redistribuídos para outras celas, algumas das quais queimadas pelo incêndio e ainda com as paredes sujas e com forte cheiro de fumaça. “As condições são péssimas. Precisamos fazer um trabalho com a Promotoria com o Estado para que ocorra a interdição. A cadeia não tem condição de uso”, disse o advogado Gilmar Machado da Silva, nomeado pela OAB para acompanhar o caso. Convocada por um dos presos para auxiliar no fim da rebelião, a advogada Ariane dos Anjos veio de Araraquara ainda na noite de terça-feira e também acompanhou de perto os presos e a remoção dos entulhos. Há sete anos, ela é defensora de Marcos Willians Herbas Camacho, o ‘Marcola’, líder da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Durante a varredura na cadeia, os policiais retiraram das celas quase duas dezenas de televisores, celulares, facas, barras de ferro, pedaços de pau, máquinas de fazer tatuagem e um pacote com centenas de espetinhos de madeira. “A princípio, as visitas e a entrega de sacolas estão suspensas. Preciso saber quantos presos serão transferidos para que eu possa determinar as punições” disse o delegado Eduardo Lopes Bonfim, diretor da cadeia.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários