O conceito de liberação da mulher, como em qualquer ângulo da vida, é dos mais contraditórios. Até mesmo elas não chegam a um acordo sobre qual seria o melhor caminho a trilhar para atingirem a plena satisfação em suas trajetórias.
Fazendo uma rápida retrospectiva na principal reivindicação da mulher, com o intuito de se igualar ao homem, já é possível detectar uma dicotomia na visão de liberdade, não só por parte delas, mas da sociedade em sua totalidade. Pois o feminismo comemorou mesmo as suas conquistas no exato momento em que o mercado de trabalho abriu-se para as mulheres.
Essa conquista histórica da mulher recebeu duas análises bem distintas. Quando, na extinta União Soviética, o trabalho feminino fora do lar tornou-se uma obrigação, o resto do mundo não se conformou. O comentário geral era de que o regime socialista havia transformado a mulher em escrava.
Não muito tempo depois, talvez até se espelhando na mulher russa, as norte-americanas começaram a trabalhar fora de casa. Aí sim, as mulheres haviam chegado à tão sonhada liberdade, uma vez que ganharam a possibilidade de ter uma profissão. O aplauso foi geral por parte das outras nações. Afinal, os Estados Unidos davam o modelo de liberação feminina.
Sem dúvida nenhuma, o fato de a mulher não depender financeiramente do homem é um aspecto dos mais positivos para ela. A independência sempre acontece na área econômica. O ser humano só atinge a sua condição plena, a partir do momento em que se torna capaz de sobreviver sem o trabalho e a tutela de outrem.
O resto veio com o tempo. A mulher passou a poder estudar. Teve direito ao voto. Engraçado! Nem ela e muito menos o homem demonstram capacidade em exercer esse direito/obrigado. Pois ambos escolhem cada representante político, principalmente na esfera legislativa, que é uma lástima. Sem Senado ou Câmaras, o Executivo não executa nada. Fica então fácil perceber o peso do vereador, deputado ou senador. Mas isso já é outra história.
Para que as feministas não se ponham a postos e ataquem o artigo, mesmo elas estando tão fora de moda nos últimos tempos, veja uma visão feminina e reflita na interrogação da atriz e escritora norte-americana Edith Evans: ‘Já que para se igualar ao homem, a mulher se comporta como homem, porque não se comporta como um homem bem comportado?’
Mas muitas, em nome da liberação de costumes, buscaram justamente o outro lado: passaram a beber desregradamente, a fumar, a cuspir na rua, a usar palavrões, a ter sexo promiscuamente e muito mais.
Esse não é um bom caminho para a mulher conquistar liberdade!
ANTÔNIO ARAÚJO é professor. E-mail: tonin.palavras@uol. com.br
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