100 piores...


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É fato que, como criaturas, somos cérebro e mente, bases de uma fenomenal inteligência. E não interessa como chegamos até aqui, se pelo Evolucionismo ou no Criacionismo “Domar” essa fenomenal inteligência, trabalhá-la para ser o principal elo de inserção do indivíduo na sociedade humana é responsabilidade do Estado, através das instituições educacionais. As perguntas que não calam brotam em mim todas as vezes em que me meto a pensar nesse assunto: o dever do Estado em assegurar Educação “qualitativa”, pode ter se transformado em flagrante método “quantitativo” inferiorizando o ensino no processo de disseminação do “saber”? Existe, já que persiste a dúvida, uma “ala” tecnicista, céptica, hipócrita e demagógica ligada à Educação, acostumada a tratar com indiferença e desleixo essa gravíssima falha educacional, aliás comprovada pelo Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) que colocou cidades como Franca no ranking das 100 piores do Estado de São Paulo? São os dados da pesquisa a comprovação da falta de consciência e comprometimento das “autoridades”, incapazes de pensar que tais desleixos podem gerar e promover a desgraça social de curto e médio prazo? Nossa! Quantas incertezas... Suponhamos que ocorreram equívocos na pesquisa e seus coordenadores não tenham notado a seriedade da questão. Em contraponto – já que supor não machuca e a gente vai supondo – suponhamos que não tenham errado e os dados, efetivamente, mostrem a deplorável qualidade do ensino e que as mesmas autoridades, mesmo com conhecimento dessa tristeza, não tenham feito nada e não estejam dispostas a fazer nada... Não seria prevaricação? Não. Não pode ser. Se assim fosse teríamos que considerar dissimulados os seus discursos quando dizem que “a educação tem conquistado grandes avanços”. Acho que não chegariam a tanto, tentando nos iludir... Deram até kits escolares para os alunos... Hum! Será que os kits foram dados para causar a falsa sensação de que o governo cuida de sua gente? Não. Não quero pensar nisso. Seria pecado pensar. O governo cria mecanismos preventivos para evitar a evasão escolar, com currículos e métodos que estimulem os interesses dos alunos? Não. A criminalidade se aproveita desse descuido estatal para recrutar nossos jovens para o mundo do crime e da violência. Caramba! Tudo no que a gente pensa sobre o que seria o Estado cuidando adequadamente da Educação do povo brasileiro – o mundo irreal –, tem uma contrapartida real. Que coisa complexa é tentar a defesa do indefensável! Como diria o educador Darcy Ribeiro, só restam duas opções: “se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca”. Aliás, morreu dizendo... RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca

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