Por acaso você ainda guarda aquela cômoda que sua avó lhe deu de presente? Ou aquele porta-jóia que ganhou já nem se lembra quando? E o baú? Ainda está naquele canto ao lado da cama? Móveis e objetos antigos, geralmente de madeira, podem não significar nada para muita gente. Só que para outras tantas, restaurar, polir, lixar e pintar peças assim é um hobby apaixonante.
Dentro dessa prática, a customização, derivada da palavra custom, em inglês, que em tradução livre seria algo como personalização, vem ganhando cada vez mais adeptos. Mais que preservar, trata-se de deixar os móveis, caixas ou qualquer peça com a cara do dono.
“Não é questão de apego material. Dou valor aos objetos antigos porque não dá para confiar nos de hoje em dia. A madeira e o metal não duram como os de antigamente. Com a técnica de customização, tenho certeza que não vou jogar dinheiro fora”, disse a professora de história e artesã Maria Helena Silvestre.
E não é só essa a vantagem de transformar o móvel. Além de ter em casa uma peça cujo prazo de validade nunca vai expirar, melhor ainda é saber que você pode rodar o mundo que nunca encontrará outra igual.
Obter um bom resultado com a customização, como em qualquer outro trabalho manual, depende mais de prática que de técnica. Não tenha receio de errar e teste bastante antes.
Segundo a decoradora e arquiteta Érika Covas Godoi, algumas técnicas são infalíveis e garantem um bom resultado, como deixar os móveis com aspecto rústico.
Para ela, se a peça ficar com a cor natural da madeira, as paredes do cômodo onde for colocada podem ser coloridas. Mas o contrário não vale. Móveis com cores fortes ficam melhores em paredes brancas. “O cômodo não pode ficar muito carregado”, disse ela.
Essa é uma preocupação da estudante Vanessa Maria Gusmão, 26, que evita os tons pastel e abusa no colorido das peças. Ela tem um armário de madeira que pertenceu à sua bisavó e, para não descartá-lo, colocou a mão na massa. “Deve ter uns dois metros de altura e quatro (metros) de largura, é pesado, cheio de gavetas e detalhes nas portas. Para mantê-lo assim, eu mesma lixei, pintei e dei o acabamento”, disse.
Para aqueles que aprovam a idéia, existem técnicas bem modernas oferecidas no mercado que facilitam, e muito, a customização de um móvel. Uma delas, a pátina provençal, permite transformar a aparência original do objeto em um tom mais envelhecido.
Empresas como a Metalvale Biju e Artesanato, por exemplo, oferecem diversos cursos, com produtos para vários tipos de trabalho.
“Muitas pessoas vêm aqui querendo reformar seus móveis. Eu marco uma visita, vejo as cores e o ambiente para saber qual trabalho ficará melhor e pronto”, disse Eliane Cristina Vitorelli, gerente da loja e artesã, acrescentando que, dependendo do acabamento, a conclusão de uma peça pode levar de um dia a alguns meses.
Com o trabalho, Eliane chega a ganhar até R$ 400 por peça. “Depende muito do que a pessoa quer adicionar no móvel. Se for um criado-mudo com duas gavetas e uma cadeira, por exemplo, custa uma média de R$ 60”.
Trabalhando há seis anos na área, a artesã decidiu montar alguns cursos e oferecer na loja.
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