Presos fazem refém e ateiam fogo na cadeia


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É FOGO! - Celas dominadas pelos presos ardem em chamas na cadeia do Jardim Guanabara: não houve feridos, mas danos materiais foram grandes na unidade
É FOGO! - Celas dominadas pelos presos ardem em chamas na cadeia do Jardim Guanabara: não houve feridos, mas danos materiais foram grandes na unidade
O barril de pólvora voltou a explodir. Presos da cadeia do Jardim Guanabara se rebelaram, ontem à noite, incendiaram as dependências internas e mantiveram um carcereiro como refém. Usaram duas armas para rendê-lo. Segundo a Polícia Civil, os detentos se revoltaram por terem uma tentativa de fuga em massa frustrada. Com capacidade aceitável para 216 presos, o presídio abrigava 475 na hora da confusão. A cadeia ficou praticamente destruída e, por conta disso, ao menos 200 presos devem ser transferidos até o fim de semana. Segundo o diretor do presídio, Eduardo Bomfim, as visitas, assim como os demais “benefícios” aos presos serão suspensos. Faltavam alguns minutos para as 20 horas, quando o carcereiro Simei de Morais Brião se aproximou das celas para entregar pães e o jantar para os detentos. Armado com um revólver, um dos presos o agarrou pelo pescoço e tentou usá-lo como escudo. Na tentativa de reação, a arma acabou caindo no pátio, mas o policial ficou nas mãos dos criminosos. A intenção era escapar pela porta da frente, mas disparos de advertência efetuados pelos companheiros do refém brecaram a tentativa de fuga. Na seqüência, todos os presos deixaram as celas e ocuparam o pátio interno. Com camisas escondendo os rostos, passaram a gritar palavras de ordem e atirar ovos, cebolas e pedras contra os policias. Bombas de efeito moral foram jogadas no pátio na tentativa de acalmá-los. Em vão. Os criminosos jogaram colchões e roupas no pátio e atearam fogo. Em poucos minutos, chamas intensas e uma fumaça preta tomaram conta do prédio. Do lado de fora, uma platéia formada por mais de cem curiosos acompanhava à distância os desdobramentos. [FOTO2] Uma longa negociação entre a polícia e os amotinados teve início. Do alto da muralha, o delegado Márcio Murari tentava, por meio de um telefone celular, fazer com que libertassem o carcereiro. “Oferecemos todas as condições de segurança. A imprensa está aqui para acompanhar que não haverá excesso de nossa parte”. Apesar da promessa, não houve acordo. Os presos pediram a presença de um advogado e do juiz corregedor de presídio, José Rodrigues Arimatéa. Conversaram por um rádio tipo HT, mas o impasse continuou. “O problema é que não há uma reivindicação. Os presos não sabem o que querem e a cada hora é um que fala. Não têm um líder”, comentou o delegado Wanir José da Silveira Júnior, comandante do GOE (Grupo de Operações Especiais). Os presos condicionaram a soltura do carcereiro com a presença de uma advogada de Araraquara que, segundo a polícia, prestaria serviços para o PCC. Ela chegou ao presídio por volta de meia-noite e meia e subiu diretamente para a muralha. Por volta das 2 horas de hoje, os presos finalmente aceitaram o acordo e liberaram o carcereiro Simei.

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