Marcelo Mambrini (PMN) está livre da cassação. Por sete votos a cinco, o processo que visava a cassá-lo por quebra de decoro parlamentar foi literalmente para a gaveta na sessão de ontem da Câmara. As ausências de Maurício Chináglia (PSB) e Graciela Ambrósio (PP) ajudaram Mambrini, pois eram tidos como votos contra o arquivamento do caso, que ainda tramita na Polícia Civil. O vereador é acusado por crime de concussão (tomar para si vantagem indevida), e no Ministério Público, responde por improbidade administrativa.
O clima antes da votação era dos piores. O mal-estar era evidente e geral, tanto no grupo pró-Mambrini como nos contrários a ele.
Zezinho Cabeleireiro (PTB), que é primo de Mambrini, estava transtornado e chegou a dizer que “se pudesse, ia embora para casa”. Ficou e votou pelo arquivamento. “Meu compromisso é com o povo”, dizia do outro lado Marcelo Valim (PSDB), amigo pessoal de Mambrini, que votou pela continuidade do processo de cassação.
Durante a votação não foi diferente. Os parlamentares demonstravam estar incomodados com a obrigatoriedade da escolha. Dois deles faltaram. Graciela alegou motivos de saúde e Chináglia mandou avisar que estava em uma audiência no Fórum. Mambrini, nervoso, articulava bastante. Ele precisava da maioria simples dos vereadores para se safar de vez da cassação. “Confio que será feita a Justiça. Não fiz nada de errado”, disse.
No final, tudo saiu conforme Mambrini esperava. Cinco vereadores votaram contra ele: Gilson Pelizaro e Silas Cuba, ambos do PT; Luiz Carlos Fernandes e Valim, do PSDB, e Valter Gomes (PSB). A favor de Mambrini se posicionaram Jepy Pereira e Rui Engrácia, do PSDB; Donizete da Farmácia (PMN), Marcelo Caleiro (PMDB), Nirley de Souza (DEM), Zezinho Cabeleireiro (PTB), além do próprio Mambrini que, mesmo tendo interesse pessoal na matéria, pôde votar normalmente. “Felizmente, isso acabou. Só tenho a agradecer a quem acreditou em mim”, disse o vereador, emocionado, após a sessão.
A decisão contrariou alguns. Entre eles, Luiz Carlos Fernandes, que considerou o arquivamento do processo como “vergonhoso”. “Não concordo com o jeito que as coisas aconteceram. A assessora que denunciou não foi ouvida, somente o vereador Mambrini. Tínhamos de, no mínimo, esperar o posicionamento do Ministério Público e da Polícia Civil. Foi vergonhoso”, afirmou.
Donizete da Farmácia discordou do tucano. Para ele, a Câmara tem autonomia para agir independente dos demais órgãos. “Se no MP e na polícia for encontrada culpa e provas concretas o caso poderá ser reaberto a qualquer tempo”.
QUEBRA-PAU
Outro fato que esquentou o clima, ontem, na Câmara, foi a discussão entre Válter Gomes e Gilson Pelizaro. A discussão era em torno do projeto de criação de vagas na Educação. Em dado momento na fala do petista, Gomes pediu aparte e os dois se desentenderam.
Gomes então, com o dedo em riste, avançou para o lado de Pelizaro, que chamou o colega para a briga. “Pode vir, excelência”, repetiu várias vezes.
A turma do deixa-disso, liderada por Donizete, Valim e Joaquim Ribeiro apaziguou a situação. “Truculência não me assusta”, disse o petista. “Tenho sangue nas veias”, rebateu o peessebista. Como resultado efetivo da briga, a sessão foi suspensa por meia hora.
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