Aeroporto: A vida no sul da cidade


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Morador em um dos bancos na Avenida César Martins Pirajá, Jardim Aeroporto III: tranqüilidade e passeios pelas ruas remontam a pequenas cidades do interior
Morador em um dos bancos na Avenida César Martins Pirajá, Jardim Aeroporto III: tranqüilidade e passeios pelas ruas remontam a pequenas cidades do interior
Debaixo das árvores, um banco de madeira, uma cadeira ou uma colcha no chão aconchega os moradores. Nas mãos, os sapatos esperam pela costura. Na boca, os assuntos prontos para o bate-papo com as vizinhas. Pelas ruas, pessoas seguem para seus destinos e crianças se divertem atrás das bolas. Circular pelos Bairros Aeroportos I, II e III é como estar em pequenas cidades do interior. Na ponta sul da cidade, o complexo reúne características muito peculiares. Os bairros surgiram há 30 anos. O primeiro loteamento, do Aeroporto I, foi aprovado no dia 13 de junho de 1978. Os outros nasceram cinco anos mais tarde. Hoje, a região abriga 363 pontos de comércio, 45 indústrias e quase 5 mil residências. Se cada uma tem em média cinco moradores, são cerca de 25 mil pessoas vivendo naquela área. Os dados são do cadastro físico da Prefeitura, referentes a novembro de 2007. A área costuma aparecer no ranking das regiões com os maiores índices de criminalidade. Mas numa conversa com os moradores do local, é fácil encontrar muitos depoimentos de gente que elenca qualidades do complexo e que gosta de morar por ali. “Aqui é ótimo. Tem asfalto, ônibus a todo momento, supermercado, farmácia, lojas, UBS, tudo perto. Estamos muito bem por aqui”, disse a dona de casa Angélica da Silva, 26, que mora no Aeroporto I com o marido e a filha. O complexo abriga gerações de famílias. É comum encontrar pessoas que nasceram, cresceram e hoje criam os filhos no mesmo bairro. Com 40 anos, a dona de casa Aurenice Dias mora naquela região há duas décadas. Hoje, divide a casa própria com o marido mais duas filhas. O ex-marido e o outro filho, a mãe e dois irmãos também moram na vizinhança, no III. “Gosto muito desses bairros e não tenho vontade de mudar. É claro que algumas melhorias são necessárias. Mas aqui é bom”, disse. [FOTO2] Os pontos de comércio concentram familiares também. Com 15 anos de atividade, o Sucatão do Aeroporto III emprega 42 pessoas, inclusive a mulher, os três filhos e noras do proprietário, Romildo Garcia. “Estamos todos em casa. Se não são da família, os funcionários são moradores do bairro”, disse o motorista do depósito Fabrício Vilar, que reside no Aeroporto II. Os comerciantes se dizem satisfeitos com o movimento. Fernando Domingos, proprietário da Kelf Modas, iniciou as atividades da loja no Aeroporto, mudou duas vezes e hoje está instalado na Avenida César Martins Pirajá. “A clientela é muito boa. Vendo cerca de mil peças de roupas por mês e tenho clientes dos bairros vizinhos. Daqui não saio”, disse ele, que mora no Aeroporto III há 20 anos. Sem espaços adequados, crianças e jovens fazem das ruas campos de futebol e espaços para outras brincadeiras. “Gosto do bairro, mas falta um campo de futebol bom e com alambrado para brincarmos”, disse Luan Freire, 12. Pelo menos os 15 moradores ouvidos pela reportagem disseram gostar do bairro e que só querem melhorias na saúde, lazer, segurança e educação.

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