Em janeiro de 2008, este colunista recebeu e-mail de um empresário francano que tinha uma dívida total de R$ 950 mil. Pediu ajuda para que sua dívida parasse de aumentar e que, aos poucos conseguisse pagá-la. Na tentativa de ajudar, fiz algumas orientações. Quero, hoje, dar conhecimento público às dicas que lhe passei já que o problema é, em maior ou menor quantificação financeira, observável na vida do cidadão, em qualquer tempo.
O superendividamento é, aliás, problema que hoje atinge a maioria dos consumidores brasileiros. “Nunca antes, na história deste País” (sic), o crédito foi tão facilitado, empréstimos, financiamentos e outras modalidades se deram de forma tão simples e com parcelas acessíveis. O consumidor então, imagina que para comprar o carro dos sonhos, poderá pagá-lo a partir de uma módica parcela de apenas R$ 650 mensais. Apenas??? A questão é que a parcela, por seis meses, é acessível, mas para 60 meses, configura uma dívida monstruosa; até porque não sabe se nos próximos cinco anos vai ter o mesmo emprego ou a mesma renda.
As pessoas então se endividam e não vão honrar. Surge o superendividamento quando o consumidor assume dívidas superiores à sua capacidade de pagamento. As dicas para não deixar isso acontecer são, a princípio, simples. Primeira: não assumam financiamentos em prazo superior a 18 meses porque não há segurança de emprego. Segunda: não conte com o cheque especial e o cartão de crédito, que configuram dívidas com juros extorsivos. Se você deve R$ 1 mil, em seis meses isso dobra.
E mais: é imprescindível o controle do orçamento mensal doméstico. Tem sempre que haver sobra para quitar dívidas em andamento.
Assumir um empréstimo consignado é outra opção para quitar dívidas com juros elevados e centralizar suas dívidas em uma só.
Outra dica é pagar faturas com juros abusivos, a vista. E mais outra: as empresas têm ainda se empenhado em ‘convencer’ o consumidor a fazer o chamado “cartão da loja”. Cuidado! Cartão de loja é um convite à compra a prazo e ao superendividamento.
Se pudéssemos fazer um resumo, o ideal seria não se endividar, não parcelar, juntar o dinheiro e comprar à vista e pechinchar um megadesconto. Voltando ao empresário francano que deve R$ 950 mil, disse-lhe que não havia qualquer alternativa a não ser renegociar dívidas de curto prazo e de juros elevados – cheque especial ou cartão de crédito, a exemplo – , conter gastos e conseguir pelo menos 20% do valor em dinheiro para tentar quitar com desconto algumas das dívidas. Como fazer isso? Vendendo bens móveis ou imóveis.
Dívida é semelhante a doença. Quando você consegue descobrir com antecedência que suas dívidas estão tomando um rumo ruim, é possível intervir para “salvar” seu crédito, mas quando a dívida é crônica, é mais difícil encontrar uma “cura”. A tendência é que o endividado “morra” para o mercado, ou seja, nenhum fornecedor lhe dará crédito porque não confia que possa haver pagamento.
LEI DE CARTÕES DE CRÉDITO
O Ministério da Justiça criou um grupo de trabalho para estudar uma regulamentação no mercado de cartões de crédito. Problemas como a falta de informações sobre a forma de parcelamento das compras no boleto de cobrança, envio de cartões sem solicitação, taxa de juros, preço diferenciado para pagamento à vista, dentre outros, serão objeto de estudo por este grupo que deve propor uma regulamentação específica para o setor. Boa iniciativa do governo, agora é esperar que os estudos sejam concluídos com rapidez.
ANUIDADE GRÁTIS
Na sanha de fisgar o consumidor a qualquer custo, alguns bancos, sabedores de que a anuidade é um dificultador de venda do cartão de crédito, oferecem cartões com anuidade “grátis” para sempre.
Primeiramente importante frisar que a publicidade vincula o fornecedor, então nunca poderá cobrar anuidade. Mas, por óbvio, o Banco cobra uma ‘taxa de inatividade’, ou seja, se o consumidor não gastar por determinado período, pagará um valor que é superior à anuidade normal. Então, cuidado consumidor. Parece que é, mas não é.
ANUCC
A Associação Nacional de Usuários de Cartões de Crédito é uma entidade sem fins lucrativos que defende os usuários. O site eletrônico da Associação é interessante e traz uma série de orientações aos consumidores contra as operadoras de cartões de crédito. Então visite a página e defenda-se. O endereço é www.anucc.com.br!
BRASILEIRO CONSUMISTA
Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) continua com ímpeto comprador. De acordo com a pesquisa, 22,5% dos consumidores disseram, em fevereiro, que pretendem aumentar as compras de bens de consumo duráveis. Em fevereiro do ano passado o porcentual era bem menor (14,5%). O porcentual de consumidores que afirmaram que “está fácil”conseguir emprego subiu de 1% em fevereiro de 2007 para 5,3% este mês, enquanto o grupo dos que consideram que “está difícil” caiu, no período, de 86,2% para 69,6% (o menor porcentual alcançado na série da pesquisa, iniciada em 2005). Preocupante a pesquisa, assim, a tendência é de aumento do superendividamento. Olho vivo, consumidor.
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