A Rádio Difusora AM, do grupo Corrêa Neves de Comunicação, iniciou na semana passada nova maratona acompanhando e transmitindo os jogos do Unimed/Franca Basquete. Na temporada passada foram 103 transmissões de partidas da equipe francana em jogos dos Campeonatos Paulista, Brasileiro e Liga Sul-Americana, durante 9 meses, média de 11 jogos em cada mês.
Lá estive eu, em 101 destas partidas. Não atuei em somente duas. Uma, contra o Paulistano, pelo Campeonato Paulista, em partida que começou às 19 horas – horário em que as emissoras brasileiras transmitem, obrigatoriamente(!!!) a Voz do Brasil – e outra, que aconteceria em Franca, para anteciparmos a chegada da equipe a Montevidéu, onde, dois dias após, o basquete francano estrearia na Liga Sul-Americana. Questão de prioridade.
Durante as competições é indispensável preparar, além da voz, a cabeça. Acompanhar um time de ponta, envolvido em torneios nacionais e internacionais exige do comunicador atenção redobrada. Em uma mesma semana, narrei jogos pelo Paulista, Nacional e Liga.
Perguntam-me sempre sobre como é transmitir basquete falando rapidamente, com emoção, transformando cada cesta em um espetáculo. Respondo que não é fácil.
A gente tem que construir tudo. O ritmo, a forma, os chavões, as frases. Dependemos muito também do time que conosco trabalha.
Tenho no repórter Marcos Junqueira, no comentarista Renato César, nos repórteres Alex Henrique, Rodolfo César, Gabriel Ciciliani, no editor/comentarista Vinicius Araujo, no técnico em transmissões Antônio Carlos Fernandes (Xaropinho) e no diretor artístico da Difusora, Everton Lima, a equipe que me proporciona a tranqüilidade de saber tudo em ordem, as pausas necessárias para não perder a voz e a certeza de que sobressaltos de última hora jamais acontecerão.
Perguntam-me também como foi que nasceu o “é bola lá dentro da redinha...”, grito com o qual narro importantes cestas de três pontos. A frase surgiu espontaneamente durante uma transmissão em 1999, na final do Campeonato Nacional. O jogo estava difícil e o ala Rogério fez uma “cesta mágica”, de três pontos, que recolocou o time na partida. Eu botei o coração para fora e a frase surgiu, gritada, esticada. Quem estava perto gostou e eu percebi.
Agreguei. Tornou-se minha marca.
Gosto do rádio. É fantástico estimular o torcedor, não presente ao jogo, a construir cenários mentais, “vendo” o que narro. Há um garoto que ouve todas as transmissões que faço, o Diego, de quem gosto muito. Ele tem deficiência visual e é pelo rádio que acompanha tudo. Dá para perceber sua emoção com o “é bola lá dentro da redinha!”. E esse é o meu maior prêmio!
Já comecei a enfrentar o desafio do primeiro torneio organizado pela Associação de Clubes Brasileiros. Vamos agregar mais 30 jogos aos quase 450 que já narramos desde o início da carreira em 1994. E, a depender da Difusora, iremos com certeza a qualquer lugar do mundo onde o basquete vencedor francano disputar uma partida oficial.
CARLOS ZACARELLI é radialista profissional, narrador esportivo e repórter do grupo Corrêa Neves de Comunicação (Rádio Difusora AM e jornal Comércio da Franca)
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