Chef de mão-cheia


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Desde criança o ambiente da casa preferido por Maurício Moura Leite, 28, é a cozinha. Isso porque, segundo ele, a mãe e a avó são cozinheiras de mão-cheia. Paixão que parece estar no sangue. Maurício se formou este ano em gastronomia na Universidade de Franca e está de malas prontas para embarcar no mês que vem para Asti, no norte da Itália, onde fará um curso de especialização no Instituto de Culinária Italiana para Estrangeiros. Mas entre a época de menino e a realização do sonho de ser “chef di cucina” muita coisa aconteceu. Quando adolescente, ele deixou a inspiração culinária de lado e somente aos 22 anos voltou a pensar no assunto. No entanto, os planos tiveram que ser adiados mais uma vez. “Na época não havia opções em Franca, nessa área. Então, decidi fazer um curso técnico em administração de empresas do Senac”, lamentou Maurício. Durante oito anos, trabalhou como vendedor de produtos para calçados e conseguiu juntar algum dinheiro. Há dois anos retomou a idéia, fez matrícula na Unifran e se empenhou ainda mais em economizar. Nesse momento, tornou-se amigo de um chef de cozinha que havia estudado na Itália. Pronto, Maurício já sabia o que fazer. “Depois de inscrito participei de uma pré-seleção e fui aprovado. Larguei tudo, vendi meu carro e juntei o dinheiro ao que economizei todos esses anos, mais de R$ 22 mil”, contou. A quantia foi suficiente para comprar as passagens e pagar pelo curso Master de Cozinha Italiana. Serão seis meses no castelo medieval Costigliole d’Asti, na região de Piemonte, no norte da Itália. Quando voltar pensa em tentar a vida em São Paulo e quem sabe até começar o próprio negócio. “Está difícil controlar a ansiedade, mas falta pouco e tenho certeza que vai valer a pena”. EMPREGO GARANTIDO “Chef de cozinha tem emprego garantido em Franca”. A afirmação é do professor do curso de gastronomia da Unifran, Fernando Dagoberto Rodrigues Pereira. Segundo ele, os alunos começam a trabalhar quando ainda estão na faculdade. “São dois anos de estudos práticos e teóricos e antes de terminar, eles fazem estágios em restaurantes da cidade. A maioria recebe propostas de trabalho permanente porque há falta de profissionais desse tipo na cidade”, explicou o professor. Como um dos alunos da primeira turma, que se formou em 2005, Marcel Paludeto Alves teve a oportunidade de aperfeiçoar os conhecimentos de culinária. Desde os 10 anos de idade ajuda a família na cozinha da Rotisserie à Siciliana, no centro da cidade, e há cinco anos, pouco antes de começar o curso, iniciou um novo negócio. Ele vai à casa dos clientes com todos os equipamentos necessários e faz pizzas ou macarrão, com diversos molhos e recheios. Cobra em média R$ 600 para servir 30 pessoas durante quatro horas. “Normalmente são dois eventos por semana, mas no fim do ano esse número pode chegar a seis”, disse Marcel. Em uma conta simples chega-se ao total de R$ 4,8 mil por mês. Nada mal para quem trabalhou cerca de oito horas por semana, não é? Mas, antes de chegar à condição de “chef” por direito é preciso trabalhar de fato. No começo, geralmente como auxiliar de cozinha, o salário é de no máximo R$ 800 para oito horas de serviço árduo na cozinha. E esse é apenas um exemplo das possibilidades para quem se forma em um curso de gastronomia. E não é preciso ficar preso na cozinha. É possível, por exemplo, trabalhar como consultor em bares e restaurantes, como instrutor de garçons ou enveredar pela área de marketing.

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