O mesmo estatuto que garante à advogada Adriana Telini Pedro o direito de continuar trabalhando se quisesse, mesmo envolvida em graves acusações, poderá livrá-la da cadeia. Foragida da Justiça e apoiando-se nas brechas oferecidas pelas normas internas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a defesa de Telini condiciona sua apresentação à polícia à garantia de que ela seja recolhida em uma sala especial das forças armadas. Se não houver instalações do tipo, que cumpra a prisão em casa. Alheia às solicitações, a Polícia Civil continua procurando a advogada e seus comparsas.
Na tarde de sexta-feira, Adriana Telini teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ela e o noivo, Luciano dos Santos Gonçalves, 31, são acusados de serem os mentores de um roubo de jóias avaliadas em R$ 120 mil. Robson de Souza Rocha,19, o “Robinho”, e Marcelo Steffen Russo, o “Sassá”, teriam feito o assalto após receber as dicas do casal. Todos estão foragidos e são procurados. “Se cumprirem a lei e disponibilizarem uma prisão de Estado Maior, minha cliente se apresenta imediatamente. Não sei onde ela está, mas alguém dá um jeito de avisar”, afirmou o advogado Rui Engrácia Garcia.
O artigo 7º do Estatuto da OAB, em seu inciso V, prevê que o advogado “não pode ser preso, antes de sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecida pela OAB, e, na sua falta, em prisão domiciliar”. Sala de Estado Maior é qualquer sala nas dependências de Comando das Forças Armadas (Exército, Marinha ou Aeronáutica) ou Auxiliares (Polícia Militar ou Corpo de Bombeiros). A subsecção da OAB em Franca informou na noite de ontem que não sabe se no Estado de São Paulo tem sala do tipo. “Em tese, a advogada tem este direito. É um dispositivo legal. Lamento muito o que está acontecendo. As acusações, se comprovadas, são muito graves e toda a classe está pagando um preço muito alto por uma atitude isolada”, comentou o experiente advogado Roberto Heck.
Por ocasião da prisão temporária, decretada no dia 31 de janeiro, Adriana Telini passou dez dias em uma cela adaptada da cadeia de Batatais. Ficou sozinha num espaço, onde, normalmente, 15 mulheres se amontoam. Ao mesmo tempo em que fala em apresentar a cliente, Rui Engrácia afirmou que vai entrar com um pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça, em São Paulo, para evitar que a advogada seja presa.
A CAÇADA CONTINUA
O delegado Márcio Garcia Murari, responsável pelo inquérito que apura o envolvimento de Adriana Telini com o roubo de jóias, mostrou-se indiferente ao pedido feito por Rui Engrácia para a suposta apresentação de sua cliente. “Não fomos contatados pela defesa de Telini. Se ela se apresentar, será oferecida uma cela especial na cadeia de Batatais ou em outra delegacia. Vamos agir dentro da legalidade e respeitar as prerrogativas previstas”.
O que a Polícia Civil quer mesmo é prender a advogada e seus comparsas. Policiais da DIG estão checando pistas e averiguando denúncias de possíveis esconderijos. “Todas as prisões são questão de honra para a polícia, mas esta é especial pela repercussão do caso e, principalmente, pela periculosidade dos envolvidos.
Tirando estes criminosos de circulação, estaremos preservando a segurança de muitas pessoas, não só em Franca, com em outras cidades”, finalizou Márcio Murari, que cogita colocar fotos dos foragidos nos ônibus circulares da cidade.
Denúncias anônimas sobre o paradeiro de Adriana Telini, Luciano, Robinho e “Sassá” podem ser feitas pelo telefone 197. A polícia garante o sigilo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.