Os cortes no atendimento a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), prometidos pela Santa Casa de Franca e em vigor desde sábado, não foram efetivados. Pelo menos não nestes primeiros três dias de março. Até o momento, apenas dois pacientes que iniciariam tratamento de quimioterapia foram recusados. O Hospital do Câncer de Franca, instituição vinculada à Santa Casa, não aceitou incluir novos nomes na lista de tratamento e “devolveu” os doentes para o Estado, que decidirá onde eles serão tratados.
No último sábado, a Santa Casa anunciou que, a partir daquele dia, iria realizar apenas a quantidade de serviços combinada com o Governo do Estado. Com isso, mais de 10 mil procedimentos seriam suspensos, inclusive, o atendimento a pacientes de 12 cidades da Alta Mogiana e Alta Anhagüera, realização de exames laboratoriais e inclusão de pacientes com câncer para sessões de quimio e radioterapia.
Ontem, no entanto, não houve recusas de doentes de outros municípios. De acordo com a assessoria de Marketing da Santa Casa, para alguns atendimentos, já haviam sido feitos pré-agendamentos e, para outros, não apareceram pacientes. “Não tivemos nenhuma intercorrência, o que é natural porque são os primeiros dias”, disse a assessora.
Uma reunião realizada na tarde de ontem tentou buscar uma solução para a crise na Santa Casa. No encontro na DRS-8 (Diretoria Regional de Saúde), estiveram presentes o provedor do hospital, José Cândido Chimionato; o diretor-hospitalar, Marcelo de Paula Lima; a diretora da DRS - 8 (Diretoria Regional de Saúde) Adriana Ruzene, e o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira.
“Nada ficou acertado. Expusemos nossa situação, cobramos do Estado a dívida que ele tem conosco. A Adriana ficou de viajar amanhã (hoje) para São Paulo para tentar uma solução na Secretaria Estadual de Saúde”, disse Marcelo de Paula.
No encontro, os diretores da Santa Casa reafirmaram que os pacientes das cidades da região somente serão atendidos se o Estado pagar os valores extra-teto do SUS, regular a entrada de pacientes no hospital e mantiver o valor mínimo de R$ 600 mil do “Pró Santas Casas” - programa de ajuda às instituições encerrado em dezembro de 2007.
Marcelo de Paula Lima disse que os reflexos dos cortes implantados pela Santa Casa só devem ser sentidos mais fortemente a partir da segunda quinzena do mês. “O Governo tem uma cota de serviços comprada que só deve ser alcançada daqui a 10 ou 20 dias. Só quando atingirmos essa cota é que passaremos a barrar pacientes, porque não podemos atender um doente e depois não receber por isso como vinha acontecendo”.
Alexandre Ferreira, secretário de Saúde de Franca, disse ontem que havia alertado o Estado, por meio da DRS-8, de que os serviços contratados pelo Estado à Santa Casa estavam abaixo do que a cidade atendia. Ele acredita que não deve demorar muito para a situação se complicar. “Alguns serviços diminuíram tanto que vão acabar no dia 10 de março. O raio-x é um deles. Isso é o caos”, avaliou.
ENTENDA A HISTÓRIA
Em julho de 2007, o gerenciamento de vagas do SUS (Sistema Único de Saúde) deixou de ser responsabilidade do município e foi transferido para o Estado, que comprou os serviços da Santa Casa.
O problema é que, a partir de então, ela passou a atender pacientes acima da quantidade contratada e bancou o valor excedente à espera do reembolso pelo Estado, que não veio. A soma chega a R$ 1,2 milhão.
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