Nordeste X Sul: o confronto da qualidade e preço


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Se havia alguma dúvida, não há mais. Dados divulgados pelo Ministério da Indústria e Comércio comprovam o que todo mundo já sabe há anos: o grosso da produção industrial brasileira, quando o assunto é quantidade de sapatos exportados, não está mais no Sul e Sudeste do País. Cabe ao Nordeste, pois, o posto de região que mais vende para o exterior. Entre os 12 maiores exportadores, em quantidade, cinco são da região Nordeste (Ceará, o maior exportador, com 9,3 milhões de pares exportados em janeiro, além de Paraíba, Bahia, Pernambuco e Sergipe). A região Sul também faz boa figura, com todos os Estados (Rio Grande do Sul, o vice-líder, com 6,1 milhões de pares, além de Santa Catarina e Paraná), assim como o Sudeste, com seus quatro Estados (São Paulo, o quarto colocado, com 1 milhão de pares, além de Rio de Janeiro e Espírito Santo). Quando o assunto é valor agregado, no entanto, a coisa é diferente. Aí, os Estados do Sul dão as cartas. Nesse quesito, a região concentra mais de 60% do total de divisas conseguidas com a exportação. Em janeiro, foram mais de 105 milhões de um total de 173 milhões, dos quais 104 vêm do RS. A quilômetros de distância, aparece a região Norte, com quase 30% das receitas. O Ceará, com 20% do total exportado pelo País (34 milhões). Só então, em terceiro, aparece São Paulo, que responde por 8,3% do valor conseguido com as exportações, um total de 17 milhões. Calma, leitor, que o mais difícil já foi. Com os dados todos na mesa, fica mais fácil analisar. Rio Grande do Sul, Ceará e São Paulo ainda são os maiores exportadores, tanto em quantidade de pares quanto em divisas geradas. Mas apresentam situações completamente diferentes. O Rio Grande do Sul é o melhor exemplo. Responsável pela produção de 30% do total de pares, exportados, concentra 60% do dinheiro conseguido com a exportação. Ou seja, seu sapato vale muito mais do que o produzido em outros lugares do País. Tem, portanto, alto valor agregado. O Ceará é exatamente o oposto. Concentra 45,7% da produção, mas só 20% das receitas. Na prática, significa que um par de sapatos produzido lá custa aproximadamente quatro vezes menos que um produzido no Rio Grande do Sul. A aposta, nesse caso, é na quantidade. São Paulo, por sua vez, é um híbrido. Com 5,14% da produção brasileira exportada, o Estado fica com 8,6% dos recursos conseguidos com a exportação. Significa que o sapato fabricado aqui tem mais valor agregado que o produzido no Nordeste, mas ainda está longe - e muito - dos valores conseguidos pela indústria gaúcha. Lidar com estes três paradigmas é o futuro da indústria calçadista. Apostar em alto valor agregado ou produção maciça, mais barata, eis a questão. Como já expliquei em colunas anteriores. FÓRUM Franca será sede, amanhã, do Fórum de Inspirações Verão 2009, evento que apresenta um projeto que unifica as pesquisas de moda do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) com Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). No evento, as novas tendências da moda para calçados devem ser apresentadas aos empresários do setor. NOVIDADE O Fórum terá outra novidade: as Rodadas de Negócios, que ocorrerão na quarta-feira, das 13h às 19h, no Salão Morada do Verde (Estrada Franca-Batatais). Mais informações sobre o encontro podem ser obtidas no site www.assintecal.org.br ou pelo e-mail modaedesign@assintecal.org.br. SAMELLO Uma boa notícia para o setor calçadista de Franca. Embora ainda em negociações, a participação da Calçados Samello na 40ª Francal é praticamente certa. A empresa, que deve começar a produção ainda neste mês, ficou sem participar em apenas uma edição da feira, a do ano passado. ALIANÇA Notícia retirada do portal da Assintecal dá conta que o governo da China pressiona para ter o Brasil ao seu lado em uma disputa contra os Estados Unidos no que se refere à pirataria. Pequim informou ao Itamaraty que enviará a Brasília nos próximos dias uma comitiva de alto escalão para conseguir o apoio do governo na questão de propriedade intelectual. O centro da questão é a guerra aberta por Washington contra a pirataria na China. ALIANÇA II Os americanos apresentaram uma queixa à OMC (Organização Mundial do Comércio) alegando que estão sofrendo prejuízos milionários com a pirataria na China. Washington, em sua queixa, acusa a China por violações de propriedade intelectual e alega que sofre prejuízos de US$ 2,2 bilhões em produtos como CDs de música, livros, softwares e filmes. Um dos questionamentos se refere à falta de punições contra empresas que praticam violações de propriedade intelectual com a falsificação de produtos, incluindo sapatos.

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