Mais de 240 profissionais que atuam em 31 municípios da região de Franca e Barretos estão sendo investigados pela Receita Federal por sonegação de impostos. Eles foram flagrados pela Operação Fiscal “Omissão de Rendimentos - Pessoas Físicas”, desenvolvida em todo País. A Delegacia Regional da Receita em Franca não divulga os nomes envolvidos nem o valor total que teria deixado de ser declarado. Sabe-se apenas que boa parte dos supostos sonegadores seria formada por profissionais liberais (advogados, médicos e dentistas) e agropecuaristas.
A sonegação foi identificada a partir do cruzamento de dados da declaração de imposto de renda desses contribuintes com as informações de movimentação financeira, cartões de crédito, rendimentos recebidos de terceiros, títulos de pensões alimentícias e vendas não declaradas de bens. “Ao analisarmos as declarações, os gastos e as movimentações financeiras, verificamos discrepâncias que mostram que houve erro ou má-fé dos contribuintes ao informar a Receita”, disse o auditor fiscal Flávio Paulo de Faria, que participou da operação na região.
Entre os casos mais gritantes, estão o de uma pessoa que recebeu R$ 3,5 milhões e só declarou R$ 1,5 milhão. Há ainda contribuinte que ganhou R$ 3 milhões e teria declarado ser isento do imposto de renda. Também entraram na lista advogados que receberam mais R$ 100 mil de honorários e não declararam e uma pessoa que ganhou R$ 50 mil de pensão alimentícia sem declará-los. Outro caso apontado pelos auditores é de um contribuinte que declarou ter um rendimento anual de R$ 10 mil, mas gastou R$ 200 mil em cartão de crédito. “Essa pessoa teve um rendimento muito inferior ao que foi gasto”, disse o delegado da Receita, José César Agostinho.
Agora todos os suspeitos de sonegação estão sendo convocados a prestar esclarecimentos à Receita Federal. “Eles devem ser ouvidos e terão que esclarecer essas discrepâncias. Quem admitir o erro pagará multas que variam de 75% a 225% do total de imposto não recolhido. Em casos que for comprovada a fraude ao imposto, os tributos deverão ser pagos e o contribuinte ainda poderá responder por crime de sonegação”, alertou o delegado.
A operação de fiscalização e cruzamento de dados não ficará restrita às pessoas físicas. A próxima etapa, ainda sem data para acontecer, é investigar as contas e declarações de pessoas jurídicas.
Colaborou Ana Carolina Costa
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