‘Deixei na S. Casa porque sabia que iam cuidar bem’Nelise Luques


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COLO - Mateus dorme nos braços da mãe minutos depois de ser entregue a ela na quinta-feira: depois de fugir e abandonar bebê, mãe ‘recuperou’ criança
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Madrugada de domingo, 24 de fevereiro. Depois de esconder a gravidez do segundo filho os nove meses até mesmo do pai da criança, N., 21, começou a ter contrações. Levada pela sogra até a Santa Casa alegou que tiraria um cisto do útero. Oito horas após o parto normal para dar vida a um menino, que se chama Mateus, N. voltou para casa, sozinha e sem o recém-nascido. A criança foi abandonada no hospital. Arrependida, cinco dias depois, a mãe conseguiu ter o bebê de volta, por decisão judicial. A jovem disse estar com a consciência tranqüila e que sua atitude foi uma prova de amor pelo filho. N. é balconista, mas está desempregada. Namorava o pai da criança desde os 16 anos e, há dois, vivia com ele e o primeiro filho dos dois, de 1 ano, na casa da sogra. Mas depois de quase sete anos juntos, N. promete terminar o relacionamento. Ela já está na casa da mãe com os dois filhos. “Tudo que fiz foi por causa dele. Não contei da gravidez porque ele me ameaçava e falava que se tivesse mais um filho não assumiria. Fiquei apavorada, por isso deixei meu bebê na Santa Casa. Agora não quero mais nada”. A mãe disse que o relacionamento dos dois era complicado, recheado de crises de ciúmes e falta de liberdade, mas “suportável”. “Ele não deixava eu sair. Ele podia, mas falava que mulher dele não sai. Quando eu saía atrás dele, a gente brigava. Cheguei a ser agredida por ele. Ele também não ajudava a cuidar do meu filho. Não sabe o que é comprar um pacote de fralda”. A história do abandono, porém, parece ter mudado o comportamento dele. “Ele falou que vai me ajudar”. A mãe ainda não sabe se o pai vai registrar o bebê. “Só falei com ele por telefone. Ele disse que viu o filho no jornal e achou que era a cara dele. Ele não conhece o nenê ainda. Não quero ver ele nem voltar com ele (sic). Não dá certo”. Por enquanto, N. ficará com os dois filhos na casa de sua mãe. Mas tem planos. “A casa da minha mãe é apertada. Quero alugar uma casa e criar meus dois ‘pequenininhos’. Colocar eles na escolinha e voltar a trabalhar. Ele (o pai) falou que vai me pagar pensão e auxiliar no aluguel”. A jovem disse já ter superado a história e estar cheia de perspectivas para o futuro. “Vai ser tudo muito bom daqui para frente porque agora eu vou ter meus dois filhos perto de mim sem ele (pai) me encher o saco”. N. pretende contar para o caçula o que aconteceu nos primeiros anos de vida dele. “Quando entender, vou contar sim (risos). Vou falar toda a verdade”. Ela acredita que ele compreenderá e acha que o fato de tê-lo abandonado foi, na verdade, uma prova de amor. “Uma mãe deixar o filho porque está com medo de acontecer alguma coisa ruim com ela ou com ele é amor. Tanto que não fui uma mãe irresponsável. Igual tem mãe que deixa em terreno, no lixo, em outros lugares. Deixei na Santa Casa, quentinho, porque sabia que iam cuidar bem”. A reportagem tentou falar com o pai, mas não foi possível.

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