Samello começa a pagar funcionários na quarta-feira


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Fachada da Calçados Samello: pagamento de funcionários e expectativa em voltar a produzir em breve
Fachada da Calçados Samello: pagamento de funcionários e expectativa em voltar a produzir em breve
Após mais de 500 dias de espera, os ex-funcionários da Calçados Samello começam a receber, nesta semana, parte das rescisões dos contratos de trabalho. Com um aporte de R$ 1,5 milhão da venda de um imóvel, a empresa pagará, nos dias 5, 6 e 7 de março, de 18% a 20% do valor a que cada um dos 756 trabalhadores têm direito. No total, a Samello deve aproximadamente R$ 7 milhões de dívida trabalhista a funcionários de Franca e da fábrica de Santa Rita, na Paraíba. Os pagamentos serão efetuados no prédio da Samello, que fica na Rua General Osório 845, no Bairro da Estação. Os primeiros a receberem serão os ex-funcionários cujos nomes iniciam com as letras de A a F. Eles estão sendo orientados a comparecerem à empresa na quarta-feira, dia 5. Na quinta, dia 6, recebem funcionários com iniciais de G a M. Já na sexta-feira, dia 7, serão atendidos os demitidos cujas iniciais são de N a Z. Miguel Sábio de Mello Neto, presidente do Grupo Samello, explica que cada funcionário receberá uma quantia diferenciada, já que a empresa optou por pagar até 20% do valor total das rescisões. “Acredito que essa é uma maneira de não estabelecer nenhum privilégio”, disse. De acordo com Miguel, a empresa espera quitar as dívidas com funcionários até o mês de agosto. Ele não informou, porém, quando fará novos pagamentos, mas disse que isso pode acontecer a qualquer momento. “A intenção é finalizar até agosto, não quer dizer que vamos pagar só em agosto, poderemos pagar em maio, junho”. EM RECUPERAÇÃO A Samello parou sua produção em outubro de 2006. No ano ano seguinte, em agosto, teve sua recuperação aprovada pelos credores, formados em sua maioria por funcionários, fornecedores e bancos. Como os funcionários têm prioridade no pagamento, eles começaram a receber os salários que estavam em atraso no mesmo mês. Ao todo, a empresa pagou R$ 1,4 milhão de salários. Miguel garante que a Samello fez acertos com outros credores e a dívida, que no auge chegou a R$ 90 milhões, hoje está menor que R$ 60 milhões. “Isso está documento com relatório do administrador judicial, com o juiz que acompanha o caso. É um sacrifício, é desgastante, como já disse outras vezes, mas por outro lado, é uma grande motivação à medida que conseguimos pagar e cumprir o plano (de recuperação), que é nosso objetivo principal”, disse, sem apresentar tais documentos à reportagem. O prazo judicial para a empresa quitar todos os débitos, de acordo com o plano de recuperação, seria de até nove anos, mas Mello sonha em pagar todos os credores até 2010. Para isso colocou à venda imóveis todos os imóveis do grupo. Ainda neste mês, a empresa planeja voltar a produzir. A meta inicial é empregar 40 pessoas e produzir entre 150 e 200 pares por dia.

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