A Igreja celebra o domingo da alegria e o evangelho relata a cura do cego de nascença. Cristo dá a luz ao cego e eterna-se para sempre a luz do mundo.
A Igreja celebra o domingo da alegria e o evangelho relata a cura do cego de nascença. Cristo dá a luz ao cego e eterna-se para sempre a luz do mundo.
A primeira leitura é do primeiro livro de Samuel. O episódio narrado aconteceu cerca de mil anos antes do nascimento de Cristo. O povo de Israel se encontra numa situação difícil. Os filisteus estão pressionando por todos os lados. O que fazer? A leitura relata então a história da eleição e unção de Davi como rei. Na escolha de Davi, é Deus quem toma a iniciativa. Embora, aos olhos humanos, Davi fosse o menos indicado para a unção, o Senhor o escolhe. Ele é ungido por Samuel.
A escolha de Davi revela como Deus costuma agir nas suas decisões. Parece que ele age contra qualquer lógica. Por que Deus se comporta desta maneira? A resposta é dada na própria leitura: Deus não vê as coisas e as pessoas com olhos humanos; o homem olha as aparências, Deus olha o coração. Aqui existe uma bela lição para a nossa vida: quem escuta a voz do Senhor e abraça a fé, deve aprender a encarar o mundo e os homens com os olhos de Deus.
Embora Deus não faça distinção entre as pessoas, lhe agradam as atitudes simples e humildes que nascem no mesmo coração. Não custa ser bom e não é caro fazer a bondade existir.
A segunda leitura é um trecho da carta de São Paulo aos Efésios. O apóstolo define os cristãos como os escolhidos, os eleitos de Deus. Essa identidade exige coerência de vida. Na leitura trata-se da luta permanente entre o bem e o mal. Os cristãos passaram do mundo das trevas para o reino da luz, por isso devem executar as obras da luz. Quais são as obras da luz? São toda espécie de bondade, de justiça e verdade.
E as obras das trevas? O apóstolo diz simplesmente que elas são tão vergonhosas, que os que praticam procuram espontaneamente a escuridão para poder se esconder. São Paulo diz que aquele que vive em cristo torna-se luz, foge do mal, pratica o bem e denuncia as obras das trevas. A denúncia é como um feixe de luz projetado sobre elas, deixando-as a descoberto, privando-as de sua proteção mais eficaz que é a treva.
No Evangelho João descreve um milagre de Jesus e suas conseqüências. O episódio da cura do cego é bastante dramático. O evangelho deste dia nos ensina que Jesus foi enviado para trazer-nos uma água que cura a cegueira que possuímos. A cegueira era encarada naquela época como um castigo divino. Todas as desgraças, as doenças, os sofrimentos eram considerados conseqüência de algum pecado. Jesus deixa claro que esta é uma forma pagã de imaginar Deus.
Deus não castiga ninguém, somente ama, e ama sobretudo aqueles que erram. Não é uma forma cristã o pensar que Deus castigue as pessoas que pecam , que envie a elas doenças e desgraças. É muito deprimente constatar que muitos pensam desta forma sobre Deus. Jesus é água que cura a cegueira daquele homem.
Uma mensagem esta Palavra nos oferece: a imagem de Deus como luz sempre esteve presente na vida do povo. O Novo Testamento apresenta Cristo como a luz que vem ao mundo para que todos possam ver. São muitas as passagens que tratam o tema da luz e, de modo especial, se destaca esta: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá luz da vida”. O cristão é chamado a fazer sua profissão de fé em Cristo, Senhor da vida e da luz.
Como a Campanha da Fraternidade orienta: “escolha a vida”, mesmo que seja necessário passar por provações e incompreensões.
Toda pessoa “iluminada” é livre, é corajosa, é sincera, sempre à procura de Deus. Pelo batismo fomos “iluminados”, portanto, não devemos fazer pacto com a mentira, não podemos possuir o espírito da timidez, não devemos gerar falsidades e nunca ficarmos parados, acomodados. Deus nos cura dos males e nos chama à vida.
SALMO 22
Este salmo tem lugar reservado na mente e no coração de muitas pessoas: “ O Senhor é meu Pastor, nada me pode faltar”. É um canto de confiança. O Senhor é o pastor e cuida com carinho do seu povo. A confiança do salmista é tão grande que confia até quando o caminho leva por um vale de sombra e de morte. Que o Senhor restaure as nossas forças, nos leve a descansar nos prados e campinas verdejantes, derrame sobre nós o óleo do seu amor e faça de nós sinais de salvação para todos.
ESCOLHER A VIDA
Este é o apelo da Campanha da Fraternidade em 2008. A vida é dom de Deus e deve ser respeitada e defendida do momento da concepção até quando Deus nos chamar para a eternidade. A notícia principal deste Comércio no último domingo, com o título “Onde mora o perigo” retratou um tema preocupante na sociedade atual: a perda da vida por causa de abusos e das facilidades da modernidade. É triste, é assustador e parece que não acabará tal situação. Mas a esperança não morre e muitos se unem para ajudar: as famílias que buscam ajuda, os médicos que lutam pela saúde de todos, as terapias, que são oferecidas, os esportes, as escolas que educam, as fazendas que trabalham em prol da recuperação, o alerta que a mídia faz, a fé, a religião. É um rol de ajuda fraterna que nos faz crer que nem tudo está perdido... e quantos se salvaram.
UMA VISITA
Nesta semana precisei visitar o Hospital do Câncer de nossa cidade buscando ajuda para um paciente. Logo na entrada se encontravam as Voluntárias da Saúde acolhendo a todos com um sorriso que fala ao coração dos que sofrem, são anjos que acolhem. Passei pela recepção, dirigi-me até o local solicitado e encontrei o médico: por onde passei percebi sinais claros da presença do coração amoroso de Deus: a atenção, o respeito, a ordem, o acolhimento, a paciência. Vi que todos ali estão vocacionados para tornar o momento de todos mais brandos já que todos ali se dirigem com um grande peso: a própria doença. Vi que ali existe “Vida”. Parabéns.
PARA REFLETIR
“Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado”.
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