7 de junho de 2007: policiais civis percorrem 14 videolocadoras regulares e apreendem, em seis delas, 800 DVDs piratas. 8 de dezembro de 2007: durante operação de combate à pirataria, policiais dos cinco distritos da cidade flagraram outras oito lojas com material pirateado nas prateleiras. Embora as ações de fiscalização não apontem números relevantes de “flagras” em lojas de locação de DVDs, comerciantes que trabalham com produtos originais estão preocupados com a concorrência “desleal”.
O mercado da pirataria se alastrou pela cidade, deixando de ser restrito aos ambulantes - conhecidos como camelôs -, e ganhou aliados nas lojas oficiais. Não é possível estipular quantas delas trabalham com produtos falsificados, mas o cliente pode descobrir se o que está levando para casa é ou não o original observando a parte da leitura do disco (o verso do DVD). Nos originais, ela é clara, quase branca, e, nos pirateados, é azul. O problema é que a maioria das pessoas observa apenas a embalagem, que, nos pirateados por sinal, é muito semelhante à original. Pelas fotos e textos da capa do produto, fica difícil descobrir se ele é falso.
“Muita gente está alugando DVD pirata e não sabe”, alerta o dono de uma locadora que preferiu não se identificar alegando que esse tipo de denúncia é perigosa. “Estamos mexendo com bandidos”.
Atualmente, Franca tem aproximadamente 150 locadoras autorizadas pela Prefeitura de Franca. Como não há uma fiscalização rigorosa nestes estabelecimentos e o mercado informal cresce a cada dia, muitos comerciantes deixaram de investir nos DVDs originais e aliaram-se à pirataria. Quem conhece bem o cenário é Marcelo*, que faz parte da indústria da falsificação e garante: já vendeu e vende DVDs a locadoras de Franca. Como o produto exige mais cuidado na fabricação, o preço é diferente dos demais vendidos nos camelôs em que ele cobra apenas R$ 2 no atacado. “Para as locadoras, quando vendo, cobro R$ 15. Fazemos a capa com papel de foto, e, no disco, imprimimos as imagens e passamos verniz. Assim o produto fica semelhante ao original”, conta.
Quantas pessoas trabalham com a pirataria em Franca também não é possível constatar, mas, para se ter uma idéia da quantidade de produtos que são jogados no mercado, só Marcelo distribui mil DVDs por semana. Com a venda, chega a ter um lucro de R$ 2 mil, no mínimo.
A reportagem fez um teste e constatou que a semelhança entre o produto falso e o original é grande quando pequenos detalhes são deixados de lado. A diferença só é grande entre os valores cobrados dos empresários. Um exemplo são os lançamentos dos filmes Resident Evil 3 - A extinção e 1408. Marcelo vende cada um dos títulos por R$ 15 a uma locadora enquanto uma outra empresária paga à distribuidora R$ 210 pelos mesmos dois filmes. Ambos alugam para os clientes por R$ 3,50. “Imagine quanto tempo vou levar para ter uma rentabilidade. Enquanto isso, quem comprou pirata está alugando pelo mesmo preço”, disse Maria*, proprietária de uma locadora na região Norte da cidade que também prefere não ser identificada.
Para tentar inibir esse tipo de ação, um grupo de empresários do ramo e a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) pretendem montar uma associação de combate à pirataria. O projeto ainda não foi elaborado, mas a idéia é exigir maior fiscalização e orientar os consumidores. “Não temos claro o que vamos fazer, mas já conversamos com vários empresários e pedimos apoio da CDL para desenvolver campanhas de combate à pirataria”, disse o empresário de uma rede de locadoras.
Quanta à fiscalização por parte da Polícia Civil, ela não é efetiva, segundo um investigador ouvido pelo Comércio. O motivo seriam os outros crimes que precisam ser investigados. “Se pararmos para prender os ambulantes e fiscalizar as locadoras, não faremos outra coisa”.
Daniel Radaeli, delegado do Centro de Inteligência da Polícia Civil, afirma o contrário. Disse que, independente de operações específicas, a polícia vai apreender os produtos clandestinos quando se deparar com a situação. “Só não podemos descuidar dos outros crimes, mas a fiscalização não pára”.
* O nome foi trocado a pedido do entrevistado
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