Bons fluidos


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Na Roma Antiga a prática de acender fogueira era comum para adorar os deuses, uma vez que a fumaça ia em direção ao céu. E com a intenção de agradá-los, as pessoas, em suas cerimônias, começaram a queimar ervas aromáticas, flores, sementes e cascas, e tudo o mais que tivesse um odor agradável. Acredita-se que foi daí, que surgiram os primeiros incensos. Se a fumaça chega aos deuses ou não, não há certeza, mas que a prática é comum ninguém nega. Há gente que não vive sem, mantendo seus estoques de incenso em casa para ser aceso nas mais diversas situações; de meditação a perfumar o quarto ou a sala. Só que o uso, seja qual for o objetivo, não agrada a todos, o que deve ser respeitado. Mas para atrair cada vez mais públicos, o mercado está inovando nos formatos e aromas. As essências, extraídas de folhas, frutos ou raízes, também são bem comuns para quem adere a esta prática (veja alguns produtos no guia nesta página). Já os óleos, cada vez mais consumidos, são também utilizados em tratamentos alternativos, mais conhecidos como aromaterapia. Entre incenso, essência e outros produtos aromatizantes, os cheiros mais comuns são os adocicados. Segundo a proprietária da loja Svenska (fala-se Suenka), no Franca Shopping, os incensos mais vendidos são os de arruda e alecrim. “Eles têm a função de tirar mau olhado e inveja”, disse. Na sua loja existem incensos a partir de R$ 1,30 a caixinha com oito unidades, que duram, em média 40 minutos. Outro, com 12 varetas, chega a durar até 3 horas cada varetinha. “Eles são o carro-chefe da casa. Por dia, vendemos uma média de 100 caixas”. As essências vêm em segundo lugar. O público que se interessa por esses assuntos, digamos, esotéricos não tem idade definida. Homens, mulheres, adolescentes ou não, o fato é que o ritual preparatório e o ambiente que se cria em torno de um incensário aceso é, para muita gente, um momento agradável. O piloto Fernando dos Reis, 25, é um exemplo. Menos fã dos incensos de queimar, por causa da fumaça, ele não fica um dia sem acender o recheau, difusor de essências. “Tenho um na sala da minha casa. Escolhi esse cômodo porque sempre que chego em casa já acendo”, disse. Ele não tem um aroma preferido. “Gosto de mudar cada vez que vou comprar. Geralmente dura uns quatro dias. Nunca falta”. Diferente dos produtos que estamos acostumados a comprar por aí, outro tipo de incenso está intimamente ligado a aspectos místicos e religiosos. É comum ver incensos nos altares das igrejas católicas, principalmente em missas solenes, aos domingos e em datas festivas como Natal, Páscoa. O frei Joaquim, da Paróquia São Judas Tadeu, em Franca, explica que o uso do objeto é como uma oferenda a Deus. “No século XII era usado para purificar o meio ambiente. Tempos depois a igreja começou a usar como oferta e ato de louvor. É como se fosse nossa oração sendo levada pelo incenso que chega aos céus”, explicou o religioso. Na Igreja, o incenso é feito em grãos e colocado em um turíbulo. “É um vaso onde tem uma brasa por baixo e uma base para colocar os incensos por cima”. Em Franca existem pelo menos cinco locais que oferecem este tipo de produto.

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