Um campeão no tatame


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Policial militar há seis anos, Jean Carlo Pereira divide seu tempo entre o trabalho, os treinamentos e as competições de jiu-jitsu, nas quais já conquistou títulos regional e estadual e o terceiro lugar no campeonato mun
Policial militar há seis anos, Jean Carlo Pereira divide seu tempo entre o trabalho, os treinamentos e as competições de jiu-jitsu, nas quais já conquistou títulos regional e estadual e o terceiro lugar no campeonato mun
<p>O jiu-jitsu, nos últimos 20 anos, tornou-se febre no País. Principalmente com a ascensão da família Gracie, que “abrasileirou” e recriou a forma de praticar a luta. Por sua objetividade e violência, seus praticantes passaram a ser vistos com reserva e conhecidos como “bad boys” ou “pit boys”. Principalmente depois de fatos isolados de agressões ocorrerem envolvendo lutadores. Mas, na realidade, o jiu-jitsu não é um esporte violento. É o que garante o soldado da Polícia Militar Jean Carlo Pereira, 33, praticante há cinco anos e faixa roxa. Pereira já ganhou títulos importantes, como os campeonatos regional e estadual e a terceira colocação no mundial do ano passado. Além disso, garante que o conhecimento do jiu-jitsu ajuda na execução de seu trabalho diário. “Se o Capitão Nascimento lutasse jiu-jitsu, certamente, não precisaria colocar tantos bandidos no saco plástico”, brincou. Saiba um pouco mais sobre o esporte, sua ligação com a PM e histórias curiosas do soldado Jean Carlo nesta entrevista.</p><p><strong>Comércio da Franca - Há quanto tempo pratica o jiu-jitsu e o que já conseguiu conquistar nesse esporte?<br />Jean Carlo Pereira -</strong> Pratico há cinco anos e sou faixa roxa. Peguei esta faixa no campeonato mundial. O problema é que, no mesmo dia, quebraram meu braço durante uma luta. Já conquistei alguns títulos, mas os mais importantes foram os de campeão regional, paulista e a terceira colocação neste mesmo mundial. Disputei nas categorias pesadíssimo, para lutadores acima de cem quilos, e absoluto, onde todos podem participar.<br /><br /><strong>Comércio - Como foi sua aproximação com o esporte?<br />Jean Carlo </strong>- Eu sempre gostei de esportes e só jogar futebol não estava mais me satisfazendo. Aí, resolvi praticar o jiu-jitsu como uma forma de extravasar o estresse do dia-a-dia. Sou policial militar há seis anos e, na minha profissão, também é importante conhecer artes marciais para dominar um infrator descontrolado sem precisar machucá-lo. Consigo fazer isso hoje utilizando as técnicas que aprendi no jiu-jitsu. Tanto que, no núcleo de formação de soldados e de tenentes, já são ensinadas algumas técnicas desta arte.<br /><br /><strong>Comércio - E como é a obtenção de patrocínio? O fato de ser policial e conhecer muitas pessoas, em especial comerciantes e empresários, ajuda em algo?<br />Jean Carlo -</strong> Independente de ser policial, as dificuldades para se conseguir patrocínio em Franca são grandes. Primeiro, é preciso obter resultados importantes para depois ter apoio. Nestas competições, normalmente, a maioria dos atletas viaja e compete com muito pouca ajuda financeira e tem de tirar dinheiro do bolso, senão, não vai. No mundial, por exemplo, comecei minha preparação quatro meses antes e gastei em média R$ 600 por mês, com alimentação adequada e suplementos alimentares. Só nos dias que antecederam a disputa, foram mais de R$ 850 de despesas. Sem ajuda, é muito pesado.<br /><br /><strong>Comércio - Esse conhecimento da luta não pode trazer o efeito contrário e, no caso de um policial, torná-lo mais agressivo?<br />Jean Carlo </strong>- De forma alguma. É totalmente ao contrário. Como disse, nossa profissão é estressante demais e, com a prática do jiu-jitsu, essa carga negativa é descarregada toda na academia. A gente sai leve de lá. Mais pessoas deveriam conhecer este esporte. O professor ensina, além das técnicas da luta, disciplina para usarmos em nosso dia-a-dia. É preciso ter muita responsabilidade depois que se passa a praticar uma arte marcial.<br /><br /><strong>Comércio - Há torneios clandestinos de vale-tudo, também conhecidos como rinhas humanas, onde lutadores, muitos deles praticantes de jiu-jitsu, enfrentam-se em confrontos sem regras. Essas lutas “queimam o filme” do jiu-jitsu?<br />Jean Carlo</strong> - É lógico que queimam. São disputas irregulares, pois, como você disse, não há regras. Isso é muito mais uma briga de rua do que uma luta de jiu-jitsu. Tem gente que sai dessas rinhas com fraturas na coluna cervical e até mortas. Não tenho notícias de que esse tipo de luta ocorra aqui em Franca. Todas as competições das quais participo são autorizadas pelo Ministério do Esporte. Têm equipe médica, regras, árbitros e exigência de todo o material necessário para que os praticantes tenham total segurança.<br /><br /><strong>Comércio - Para praticar o esporte, ainda mais em competições oficiais, como as que você disputa, é necessário tempo. A PM disponibiliza horários para que você treine e participe de campeonatos?<br />Jean Carlo</strong> - Se o policial militar pratica algum esporte, a corporação dá total apoio, independente de qual seja. Basta ver o exemplo do judoca Mário Sabino, que é policial militar e já disputou as Olimpíadas e mundiais, contando com o apoio da PM. Portanto, se ganhei torneios, agradeço ao meu comando, porque, toda vez que precisei, tive o respaldo necessário, como folga, troca de serviço e até dispensas.<br /><br /><strong>Comércio - Notícias veiculadas em sites especializados em esportes afirmam que a procura de policiais, principalmente militares, por academias de artes marciais aumentou após a exibição do filme Tropa de Elite, que retrata o dia-a-dia da profissão. Em Franca, você sente que isso ocorreu também?<br />Jean Carlo -</strong> Ocorreu sim. O filme mostra em parte o nosso dia-a-dia, a adrenalina, o estresse. Deixa claro que você precisa praticar um esporte não só para liberar isso como também para estar melhor preparado para enfrentar situações de conflito. Aqui na academia do Jackão temos, pelo menos, cinco policiais civis e militares praticando o jiu-jitsu. No total, devem ser mais de 40 em toda a cidade. Quanto ao filme, faço uma ressalva: se o Capitão Nascimento lutasse jiu-jitsu ele não precisaria colocar tantos bandidos no saco plástico (risos).<br /><strong><br />Comércio - E em Franca, em especial após a exibição do filme, existe ou foi criado algum método parecido de abordagem de marginais?<br />Jean Carlo</strong> - Aquilo lá é só um filme. A realidade é outra. Aquilo não existe não. A população francana sabe disso. Na Polícia Militar, não existe nada parecido. Só é usada força quando a pessoa abordada está fora de si e passa a agredir terceiros ou os policiais. Nessa hora, temos de usar força maior, mas não para machucar ninguém, só com o objetivo de algemar essa pessoa e contê-la.<br /><br /><strong>Comércio - Na Polícia Militar existe aplicação de trote (tipo de batismo; recepção violenta) a recrutas novos, nas academias da PM ou nos batalhões?<br />Jean Carlo </strong>- Não. Antigamente, muitos anos atrás, acontecia, mas hoje em dia não tem mais nada disso.<br /><br /><strong>Comércio - O fato de ser policial inibe os outros lutadores durante os treinamentos na academia?<br />Jean Carlo </strong>- Não tem nada disso, no tatame, todo mundo é igual. Não existe medo, nem receio comigo ou com os outros policiais. Eles querem é matar a gente (risos). Aliás, um aspecto positivo de a gente treinar jiu-jitsu é que maus elementos sabem que a gente freqüenta aquele local e nem se aproximam, o que melhora bastante o ambiente das academias. <br /></p>

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