De cada dez empresas em funcionamento hoje nos setores industrial, comercial, de serviços e agropecuário em Franca, oito têm menos de dez funcionários. São mais de 6 mil microempresas que, sozinhas, empregam quatro em cada dez trabalhadores registrados na cidade. Este tipo de empreendimento vem ganhando cada vez mais espaço na economia. Há 20 anos, eram menos de 2 mil microempresas que empregavam menos de 10% da mão-de-obra registrada.
Para Iroa Nogueira Lima Arantes, gerente regional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) de Franca, o crescimento dos microempreendimentos é resultado direto do fim das grandes empresas que, para não fechar as portas, acabaram terceirizando sua produção. “A maioria dos novos micronegócios nasceu por necessidade e não por oportunidade. O trabalhador precisou criar um auto-emprego e se tornou um empreendedor por necessidade”.
A entrada da mulher no mercado de trabalho também ajudou a inflacionar os números. “Antigamente era somente o homem que tocava um negócio adiante. Com a independência da mulher, ela passou a criar novos negócios e abrir vagas de trabalho”.
O economista Hélio Braga Filho disse que muitos trabalhadores das empresas calçadistas se tornaram empresários em razão da falta de perspectiva ou crescimento profissional. “Eles dominam o processo de fabricação. Sem ter como crescer no local onde estavam empregados, a opção para ganhar mais sempre é montar seu próprio negócio”.
Com a reestruturação econômica das últimas décadas, as grandes empresas deixaram de concentrar-se na produção e passaram a se dedicar mais às atividades de pesquisa, desenvolvimento e design.
“Houve um refinamento do setor e novas empresas, no caso as pequenas, precisaram surgir para atender esses clientes”.
Téti Brigagão, diretor comercial da Sândalo, foi um dos empresários que adotou essa medida e não se arrepende. “A terceirização ajuda a empregar a mão-de-obra desocupada e diminui ônus para as grandes empresas, tudo fica mais fácil para se administrar”.
A gerente regional do Sebrae concorda, mas alerta que, para o microempresário se manter no mercado, é preciso estar bem assessorado e com visão em todos os setores do negócio. “Sem estrutura e planejamento, o empreendimento acaba, ele precisa estar capacitado para que isso não aconteça”.
Levantamento do Sebrae São Paulo mostra que, de cada cem pequenas empresas abertas, 47 fecham antes de completar cinco anos. Não há números específicos de Franca, mas o economista Daltro Oliveira garante que a realidade se repete aqui.
Segundo Iroa, a regional do Sebrae Franca, que compreende 19 municípios, tem 31.636 micro e pequenas empresas. A maioria pertence ao setor comercial (44%), seguida do serviço (26%), indústria (19%) e agricultura (9%).
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