Quando eu trabalhava no (hoje extinto) banco Comind de Ituverava, em 1984, o Albertino, um dos seguranças, contou-me que o médico, ao ver seu exame de sangue, disse que ele tinha o mal de Chagas. Ele ficou tão abatido que passou a não conseguiu vencer com a bicicleta a subida no caminho de casa para o trabalho.
Inconformado, procurou outro médico e após novos exames se comprovou que ele não tinha doença nenhuma. A partir de então voltou a sentir-se forte e a fazer o aclive sem descer da “magrela”. Quando eu jogava futebol como ponta-direita, costumava observar o lateral-esquerdo do time adversário antes do jogo; se cismasse que ele era bom, eu me sentia inibido, inseguro e acabava jogando mal. Vejam quão forte é o poder da sugestão! Nos dois casos a capacidade estava intacta, com a queda no desempenho provocada apenas pelo fator psicológico. Pensar negativamente reduz a nossa energia, limita nossa capacidade de criar e de executar coisas boas, necessárias, úteis.
Os pensamentos precedem as ações e regulam nossa relação com a vida e o mundo. Mente sadia leva a ações sadias. Cada qual com seu igual; o bem atrai o bem, o mal... Da mesma forma que se faz o asseio corporal, deve-se cuidar da higiene da mente, que não pode ser receptáculo de idéias doentias, pensamentos ruins, informações inúteis. Assim como se deve guardar em armários, gavetas só o que é útil, a mente também precisa ser esvaziada de tudo que não presta, deve ser despojada de pensamentos danosos e ocupada com coisas saudáveis. A paz interior se obtém com espírito limpo, sem promiscuidade de idéias. Quem tem atitude positiva perante a vida não fica com “minhocas na cabeça”.
O nosso consciente precisa funcionar como um filtro, para barrar idéias, sentimentos e pensamentos nocivos e evitar que entrem no subconsciente, pois este executa todos os comandos que recebe através dos pensamentos, sem distinguir o que é bom do que não é.
Portanto, há que se treinar a mente para absorver os bons pensamentos e afastar os ruins. É um exercício constante. Manter a calma e o equilíbrio em situações em que se costuma ficar com os nervos à flor da pele, não se alterar quando tiver de lidar com pessoas que faltam com o respeito, não se deixar contaminar por elas; não guardar ressentimentos, raiva. Pessoas e coisas mórbidas não devem ter espaço no nosso pensamento.
Imprescindível ao fortalecimento físico e mental é banir a autocompaixão. Nada de “coitado de mim”, de ter dó de si mesmo, de sentir-se vítima. Assim também deve ser com os outros. Jamais tratar com comiseração quem está passando por um momento difícil, pois só faz a pessoa afundar mais ainda no sofrimento, na tristeza. Deve-se dar apoio, consolo, mas para ajudar a vencer a adversidade e recuperar a força espiritual e a alegria de viver.
Pergunte a um portador de deficiência se ele quer que sintam pena dele e, como resposta, ouvirá que ele quer respeito e até alguma ajuda; pena, dó, não. Ninguém deve se deixar dominar pelo complexo de inferioridade. Pôr na cabeça que se é incapaz de fazer certas coisas tem um efeito devastador sobre o poder de realização. A pessoa tomada pelo pensamento negativo vive se esquivando de fazer o que é preciso; quando faz, não dá o máximo de si, não tem motivação. É o que se chama de “correr com o freio de mão puxado”.
Você que está aí desanimado, pensando que não é capaz de realizar seu sonho, de ser feliz, mude de atitude, dê uma sacudida na mente para afastar os maus pensamentos, tenha confiança, plante as sementes certas. Não é possível colher o êxito plantando o fracasso.
PAULO PEREIRA DA COSTA é promotor de Justiça e autor do livro Pensando na Vida (disponível na Livraria Martins). E-mail: paulopereiracosta@uol.com.br
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