Nem mesmo a menor cotação do dólar desde o ano de 2000, reclamação constante do setor produtivo da cidade, fez com que as exportações francanas diminuíssem em janeiro. As vendas externas aumentaram 4,14% em relação ao mesmo período do ano passado, saltando de US$ 16 milhões para US$ 16,7 milhões. Embora os bens de consumo não duráveis - basicamente sapatos - sejam, isoladamente, o maior setor a exportar na cidade (US$ 8,3 milhões - veja mais no texto ao lado), a salvação da lavoura, ou melhor, da balança comercial, não foi o calçado, e sim o café, que teve um crescimento de 134% em relação a janeiro de 2007.
No ano passado, foram vendidos ao mercado externo 400.800 quilos de café, contra 824.400 deste ano. Se a produção em quilos mais que dobrou, o aumento do valor exportado foi ainda maior. As vendas do produto agropecuário rendeu para a cidade R$ 2,281 bilhões neste primeiro mês do ano contra US$ 973.286 registrados em 2007.
A explicação para a diferença entre o aumento do valor em dólar e da quantidade do quilo exportado é o alto preço do café, tanto no mercado externo quanto interno. Neste início de ano, por exemplo, o preço do grão é o mais alto dos últimos dez anos no mercado interno. O motivo, explica o diretor Geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Guilherme Braga, é a quebra na safra. “Como a safra brasileira quebrou muito, você tem, em termos mundiais, uma relação bem apertada entre oferta e demanda. Isso tem contribuído para a alta dos preços”.
A explicação para Franca estar exportando mais - mesmo com a quebra da safra, estimada em 60% - é de que a comercialização aqui teria sido mais lenta. “Provavelmente deve ter havido um fluxo da produção ao mercado mais lento do que nas outras regiões. A maioria dos produtores vendeu no meio da safra. Em Franca, devem ter esperado e, muitas vezes, quem aguarda o melhor momento (para vender) obtém preços melhores”.
O professor de economia e coordenador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), Hélio Braga Filho, diz que os números do café, além de mostrarem um aumento na rentabilidade do produto, ainda sinalizam uma retomada no seu papel histórico na cidade. “É um bom sinal. Significa que o café começa a esboçar, pelo menos aí, uma recuperação do seu papel na composição da pauta exportadora”.
Além de recuperar seu papel, Hélio diz que os números da venda de café faz com que haja uma diversificação da pauta, necessária para a saúde econômica da cidade. “De uma forma geral, se percebe é que o que se perdeu com o calçado se ganhou com outros produtos, o que faz com que o saldo ainda seja positivo.” O economista diz, no entanto, que ainda é necessário cautela por causa do cenário internacional e a crise americana, que ainda geram incertezas.
“Resta esperar mais um pouco para ver o que vai acontecer, porque boa parte das exportações vão para o mercado americano, que ainda está em um cenário de incertezas.”
O gerente de comercialização da Cocapec, Anselmo Magno de Paula, foi procurado para comentar os números, mas estava em viagem a São Paulo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.