16 novos motoristas entopem as ruas de Franca todo dia


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Imagem capturada pelo fotógrafo do Comércio Marcos Limonti em poucas horas no final da tarde de ontem: sinalização não é respeitada nas ruas de Franca
Imagem capturada pelo fotógrafo do Comércio Marcos Limonti em poucas horas no final da tarde de ontem: sinalização não é respeitada nas ruas de Franca
Mais de 500 novos motoristas foram habilitados pela Ciretran (Cincunscrição Regional de Trânsito) de Franca apenas em janeiro. O número, exatamente 505, é 92% superior ao verificado no mesmo mês do ano passado, quando 263 pessoas obtiveram o documento. Apesar de expressiva, a quantidade de habilitações expedidas estaria dentro do esperado, de acordo com autoridades de trânsito na cidade, embora seja superior à média dos últimos 12 meses, com 442 expedições. Para críticos, como o vice-prefeito Ary Balieiro, são 500 novos problemas para enfrentar. A noção de que o mercado de auto-escolas está aquecido é perceptível. Diariamente, quem passa pelos quatro centros de formação de condutores espalhados por Franca ou na área onde, rotineiramente, são realizados os treinos com motocicletas, próxima ao Parque “Fernando Costa”, pode constatar a quantidade de pretensos novos motoristas. Beneficiados pela estabilidade econômica e pela facilidade de crédito, motos, carros e utilitários vão sendo vendidos às centenas todos os meses entupindo as ruas da cidade e gerando situações impensadas poucos anos atrás. Entenda-se: congestionamentos em vários horários do dia. E ainda que chegue o momento de a cidade reclamar o esgotamento de sua capacidade de absorver tantos carros e maus motoristas, é pouco provável que qualquer mudança de impacto seja promovida. Mesmo porque, na opinião do vice-prefeito Ary Balieiro, não há muito o que fazer. Balieiro é um dos coordenadores do Núcleo de Planejamento do Trânsito, grupo de estudo que analisa projetos para melhorar o trânsito em Franca. Segundo ele, que é arquiteto, não há muito o que ser feito a curto prazo. Com ruas estreitas e mal planejadas, a saída mais rápida seria incrementar o transporte público, permitindo que mais pessoas usassem os coletivos, deixando seus veículos parados na garagem. Com relação à invasão de novos motoristas, ele é enfático: “são 500 novos problemas todos os meses”. TUDO NORMAL O número de novos condutores é considerado aceitável para o chefe da divisão de Trânsito, Sérgio Buranelli, e para o delegado da Ciretran, Marcelo Caleiro. Os dois baseiam suas análises levando em conta o número de moradores de Franca. Para Buranelli, a faixa etária dominante na cidade explica o fenômeno. “A população jovem de Franca é muito grande e a carteira de motorista é o primeiro presente que a pessoa quer quando completa 18 anos”. Já para o diretor do Sindicato dos Instrutores de Auto Escolas de São Paulo, João Carlos Matos, há outro dado que merece reflexão. Se pelo menos 20% destes motoristas tiverem condição ou a possibilidade de comprar um veículo, significa que 100 novos condutores estarão nas ruas a cada mês. Em entrevista concedida ao Comércio da Franca em outubro do ano passado, o promotor criminal Joaquim Rezende, crítico ferrenho do modelo de formação adotado pelas auto-escolas no País, disse que não se pode acreditar que uma pessoa, pelo simples fato de portar o documento, seja considerada apta a dirigir um veículo. Depois de citar vários casos que conheceu e outros nos quais atuou durante sua carreira, Rezende avaliou que a obtenção de uma CNH deveria sofrer um aperfeiçoamento, exigindo do candidato a motorista conhecimentos e habilidades que hoje são ignoradas. “Dá para você acreditar que uma pessoa que pega sua CNH em um dia, no outro possa sair para dirigir em uma estrada, por exemplo?”, questionou o promotor. “Nenhuma auto-escola no Brasil coloca um aluno para andar a 80 quilômetros por hora. Como ele terá condições de dirigir em uma rodovia?’.

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