Creas leva esperança a 1,3 mil vitimizados


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Criado em dezembro de 2005, o Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social) é uma ponte para transformar vidas em Franca e ajudar vítimas de violência a se recuperar dos traumas. Atualmente, 1,3 mil pessoas estão em atendimento gratuito na unidade. São crianças, adultos e usuários de até 97 anos que sofreram ou estiveram envolvidos, de alguma forma, em agressões física ou psicológica, negligência, abuso sexual, estuprados ou vítimas de trabalho infantil. Os casos são encaminhados para o Creas pelo Conselho Tutelar, Fórum “Alberto Azevedo” e escolas, além de denúncias. Em 2006, primeiro ano de atividades, o Centro recebeu menos de cem casos ao longo dos doze meses. Neste ano, são 260 em acompanhamento. “Acho que a população está mais esclarecida e sabe onde procurar ajuda. O aumento ainda se deve ao fato do Creas estar mais difundido e conhecido pela comunidade”, disse a assistente social Maria Inês Moura, coordenadora do Creas. No local, uma equipe de 12 profissionais, entre assistentes sociais, psicólogas, terapeuta ocupacional e advogado, presta o atendimento com sessões individuais, em grupo, cursos e oficinas de cabeleireira, ovos de Páscoa e bijuteria, entre outras. “Com as oficinas, damos oportunidades aos usuários. Os participantes melhoram a auto-estima e ganham mais uma opção de geração de renda”. O principal motivo das agressões é o vício em drogas e bebidas alcoólicas. O Centro também realiza encaminhamentos para clínicas de recuperação de dependentes químicos, como Caps (Centro de Atenção Psicossocial), e outros centros especializados, por exemplo, o Naia (Núcleo de Atendimento à Infância e à Adolescência). “De cada dez casos, em nove tem alguém da família envolvido com droga ou alcoolismo. Se a pessoa quiser, providenciamos um local para se tratar”, disse Roberta Pucci, assistente social. A duração do atendimento é variável. A faxineira desempregada AAS, 26, está em acompanhamento há um ano e não pretende deixar o Creas. Mãe de quatro crianças com 7, 6, 5 e 2 anos, até março de 2007, era viciada em bebidas alcoólicas e não cuidava direito dos filhos, de si mesma nem da casa. Depois do contato do Conselho Tutelar foi encaminhada para o Centro. “Minha vida se transformou. Antes sofria muito”. AAS e os filhos têm atendimento psicológico em casa e, há três semanas, a mãe iniciou o curso de cabeleireira e pretende seguir carreira. Faz dois anos que não consegue emprego. “Está muito bom. Antes meus filhos eram muito nervosos, gritavam muito e hoje estão bem mais calmos graças à ajuda da psicóloga”, disse AAS. “As meninas do Creas me ensinaram até mesmo sobre a importância de ter tudo limpo, dos meninos escovarem os dentes, se alimentarem certo e terem um lugar para brincar”. Outro caso em acompanhamento pelo Creas é de uma menina de dez anos que sofria abuso do pai. A mãe dela também é atendida. “A criança tem sessões com psicólogas com atendimento baseado em trabalhos lúdicos e muito diálogo e faz curso de computação. A mãe está na oficina de cabeleireiro”, disse Roberta. A MANUTENÇÃO O projeto custa, em média, R$ 30 mil por mês. As despesas são pagas pela Prefeitura e recursos dos governos federal e estadual”. É um trabalho especializado e personalizado, por isso é caro. Temos aluguel do prédio, pagamento dos funcionários e outros encargos. 85% é pago pela Prefeitura”, disse a coordenadora Maria Inês. O Creas está instalado na Rua Floriano Peixoto, 1090, Centro. O atendimento ocorre durante a semana, das 8 às 17 horas.

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