A Pastoral do Menor de Franca, em atividade desde 1983, está com as contas no vermelho. As dívidas somam R$ 25 mil ameaçam o atendimento de crianças e jovens carentes moradores do Jardim Aeroporto, Aviação e Santa Bárbara. A entidade oferece atividades no período contrário ao da escola para 125 crianças. Se os débitos não forem zerados, os dirigentes terão que reduzir o número de beneficiados e funcionários que já vem caindo há três anos.
Em 2005, a Pastoral atendia 250 meninos. Com a crise, o atendimento caiu pela metade. Hoje são 125 participantes. E a demanda é bem superior. A fila de espera está com 335 inscritos. A quantidade de educadores também mudou. Há três anos, eram 13, para 2008, são cinco.
A dívida de R$ 25 mil soma salários atrasados, prestações do INSS, gastos com os reparos no prédio da Pastoral no Aeroporto III e prejuízo de uma campanha de marketing mal sucedida. “Perdemos R$ 16 mil na campanha do cofrinho”, disse o Padre Ovídio de Andrade, coordenador da entidade.
Os cofres foram vendidos por R$ 50 cada e os cinco participantes que arrecadaram mais dinheiro ganharam prêmios de R$ 10 mil, R$ 3 mil e R$ 1 mil para terceiro, quarto e quinto lugares. “Em 2006, lucramos R$ 40 mil com o mesma campanha. Mas dos 500 cofres de 2007 não vendemos nem a metade”.
Os trabalhos custam R$ 30 mil por mês. De recursos, a Pastoral recebe R$ 16 mil, entre verbas da Prefeitura, Irmãs Santa Catarina de Senna, Irmãos Maristas e Conselho Municipal da Assistência Social. A entidade ainda receberia parte do lucro com a venda de recicláveis pela Cooperfran, mas isso não ocorreu no ano passado.
“Trabalhamos com um déficit de R$ 14 mil por mês, que deveriam sair da venda de recicláveis. Também temos uma unidade de sucata própria, mas tivemos prejuízos também”.
O padre Jamil Souza, coordenador diocesano de pastorais, disse que as pastorais recebem ajuda de custo, mas admite serem recursos insuficientes. “Este fundo provém da campanha para a evangelização, que é uma coleta especial feita em todas as comunidades da Diocese. O valor obtido é insuficiente para suprir as necessidades básicas das pastorais”, disse.
A Paróquia São Sebastião, comandada pelo Padre Ovídio, realiza a tradicional Festa da Integração, mas a verba (cerca de R$ 75 mil em 2007) é usada nos projetos da igreja apenas. “São assuntos distintos. Não podemos usar o dinheiro da Integração para cobrir as despesas da Pastoral”, disse o padre.
O secretário de Ação Social, Roberto Nunes Rocha, disse que a Pastoral pode solicitar um aumento no repasse de verbas municipais, mas precisará apresentar um projeto que o justifique e aguardar aprovação pelo Conselho de Assistência Social e dos Vereadores. Mas, mesmo aprovado, o reajuste só valeria a partir de 2009.
No do Jardim Aeroporto III, a Pastoral do Menor recebe crianças entre 5 e 11 anos e 11 meses em dois períodos, contrário ao escolar. As educadoras promovem brincadeiras, auxiliam nas tarefas escolares, exibem e debatem filmes infantis, realizam exercícios de coordenação motora e servem lanche todos os dias. Há reuniões mensais com os pais para falar de valores, educação dos filhos, saúde, alimentação e higiene. Outros alunos fazem aulas de inclusão digital.
Em 2007, a Pastoral fez parceria com a Secretaria de Educação e ofereceu aulas de xadrez e violão pelo programa de Ações Complementares. Ainda não está definido se a parceria continuará neste ano. Para 2008, o principal projeto é abrir 340 vagas para aulas de informática em março.
Letícia Augusta, 9, mora no Jardim Santa Bárbara, e há três anos é atendida pela Pastoral. Ela não quer que o projeto acabe. “As professoras aqui ensinam muito bem, me ajudam a fazer lições de casa, fazer artesanato, informática. É legal”.
Para prosseguir, a entidade necessita de vários tipos de doações: dinheiro, alimentos (embora receba uma parte da Prefeitura), lápis de cor e papel sulfite para as atividades das crianças. “Qualquer ajuda é importante. Se for financeira, a pessoa pode abater em imposto de renda. Se for em auxílios, sempre acolhemos”, disse Padre Ovídio.
JUBILEU DE PRATA
A Pastoral completará 25 anos em dezembro. Desde 1983 desenvolve projetos sociais. Inicialmente, atendeu meninos de rua que cheiravam cola, mas depois de uma pesquisa, detectou que 75% dessa clientela morava no região Sul. Com doação de um terreno pela Prefeitura, construiu um prédio no Aeroporto III. Hoje, a Pastoral também é responsável pelo atendimento aos menores internados na Fundação Casa (antiga Febem) de Franca, inaugurada em setembro de 2007.
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