Bebê abandonado deve voltar para mãe


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O bebê abandonado no domingo recebeu alta ontem da Santa Casa depois de se curar de icterícia. A criança está com uma família de apoio
O bebê abandonado no domingo recebeu alta ontem da Santa Casa depois de se curar de icterícia. A criança está com uma família de apoio
O bebê abandonado pela mãe na Santa Casa de Franca no último domingo, 24, recebeu alta ontem por volta das 15 horas. O menino está sob os cuidados de uma família de apoio, mas poderá voltar para os braços da mãe, uma jovem de 22 anos, que já tem um filho de 1 ano. Ao Conselho Tutelar, delegado e um irmão, ela disse que está arrependida do abandono e que quer o filho de volta. A decisão final será do juiz da Infância e da Juventude. A conselheira tutelar Gláucia Limonti, que acompanhou o depoimento da mãe na última terça-feira, acredita que o recém-nascido ficará com ela. “A mãe teve motivos para deixar o nenê. Para casa não poderia voltar, pois era ameaçada pelo marido, que não queria mais filhos. Ela saiu para chamar a mãe e buscar ajuda para levar o bebê”, disse a conselheira que entrevistou a mãe anteontem. Dalmo Polo, atual delegado da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), também aposta no retorno do bebê para o convívio da mãe. “Acredito que a criança ficará com a mulher. No momento que falei com ela, não se mostrou uma pessoa desequilibrada. Ela teve momentos de depressão e estava sendo pressionada por problemas conjugais durante toda a gravidez”. Foi aberto inquérito para investigar o caso. A data não está marcada, mas a psicóloga da DDM, Fabiana Zagolin, fará atendimento à mulher. “Não sou psicólogo, mas acho que a mãe reúne condições para ficar com o filho”, disse Dalmo. Embora as autoridades e familiares aleguem problemas conjugais sérios, não há registro de queixas da mulher contra o companheiro na DDM. O marido não foi localizado pela reportagem. A polícia disse não ter contatos dele e os familiares não quiseram informar onde mora. Depois de encaminhar o bebê para a família de apoio, o Conselho Tutelar representou o caso no Juizado da Infância e da Juventude, que decidirá o destino do menino. O promotor Augusto Arruda Neto prefere aguardar o processo para comentar do caso. “Não posso me pronunciar antes de ter o relatório do Serviço Psicossocial do Fórum, que entrevistará a mãe e os familiares para entender a situação”. Esse atendimento está previsto para acontecer ainda nesta semana. “A investigação tem que ocorrer em menor tempo possível, pois a criança está em fase de amamentação e a mãe, segundo nos informaram, tem muito leite”, disse Douglas Quintanilha, diretor da Vara da Infância e Juventude. O garoto ficará com a família de apoio e se não ficar com a mãe nem com parentes próximos, poderá ser adotado. HISTÓRIA A mãe, que é de Franca e não de Morro Agudo como havia informado ao hospital, chegou à Santa Casa às 10 horas de domingo já em trabalho de parto. Ela estava sozinha. O bebê nasceu às 11 horas. Menos de oito horas depois do parto, as enfermeiras encontraram o recém-nascido no quarto sozinho. A mãe aproveitou o horário de troca de acompanhantes e fugiu. Ela havia informado nome e endereço falsos ao hospital. Na terça-feira, procurou a DDM e Conselho Tutelar para se justificar. Ela responderá por crime de abandono de incapaz. A pena prevista no Código Penal para esse crime é de seis meses a três anos de prisão. “Durante a análise do caso, levaremos em conta a pressão e temor que sentiu, mas ela continuará respondendo pelo crime tranqüilamente. Não será perdoada. Os motivos apenas podem atenuar a pena”, disse o delegado Dalmo.

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