O menino drogado


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Cenário: supermercado no centro de Franca. Um jovem, aparentando 15 anos, corre com mercadorias furtadas em direção ao estacionamento. Perseguido por seguranças da casa, tenta fugir numa bicicleta de um dos funcionários da loja. É cercado. Mais parece um animal acossado. Nota-se que está drogado. Desespera-se, grita, chora, tem convulsões e sem saída, clama pela mãe. Lágrimas infrutíferas. Foi apreendido. Sempre se ouve dizer que os jovens de hoje são o futuro do amanhã. A questão é, que tipo de futuro terá o jovem de hoje? Tempo em que criança com arma na mão era cena de guerra fundamentalista é passado. A realidade da violência como pertencente ao cotidiano dos jovens é cada vez mais comum. Quantos milhares de jovens param de estudar, de se preocupar com o futuro, levam reprovação na escola, e se metem na companhia de marginais, entrando em contato com traficantes e a cultura isolada dos drogados? Quantos roubos, assassinatos, bens e vidas perdidas para sempre por causa da tolerância de uma sociedade irresponsável? Fica claro nos tempos atuais que ser um jovem saudável não é uma tarefa fácil, é preciso muita personalidade, valores claros e bons exemplos para não se deixar cair em tentação. Entre os adolescentes, a droga tem uma relação direta com a falta de perspectivas, com o tédio, com a dificuldade de lidar com a vida de forma responsável. Não se sabe ao certo se esses aspectos são a causa ou o efeito da droga, mas o adolescente com pouco interesse pela vida e pelos relacionamentos humanos está mais propenso a procurá-las. O “crack” é descrito pelos especialistas como “a droga mais perigosa conhecida pelo homem” e, junto com a cocaína, está por trás da maioria dos roubos, assaltos e latrocínios. As pedras de “crack”, consumidas em pequenos cachimbos, são baratas e causam uma dependência química extremamente rápida. A verdade precisa ser dita. Os pontos de tráfico são conhecidos pela Polícia, mas somente pequenos traficantes de esquina são presos. Os reis do tráfico, sempre impunes. Muitos se escondem atrás de grandes fachadas. O problema é que a lucratividade das drogas atingiu um patamar absurdo. Assim como joint-ventures e multinacionais, os traficantes diversificaram. Tornaram-se narcotraficantes, aliaram o lucro das drogas à venda de armas, penetraram no poder público através da corrupção e hoje dão às ordens nos bairros que controlam. E o hediondo mercado das drogas continua dizimando a juventude. Ele avança e vai ceifando vidas nos barracos da periferia abandonada e no trágico auê dos bares e boates freqüentados pela juventude bem-nascida. Pobre menino francano! Quem sabe, jogado agora numa FEBEM qualquer, depois do deprimente espetáculo num estacionamento de supermercado. Ele que, no máximo, conhece a sala de visitas da sua própria personalidade. Milhões de jovens como ele estão hoje se drogando, sob as vistas complacentes de nossas autoridades. Não compreendem que as drogas podem queimar etapas da vida, levá-los a envelhecer rapidamente, ou então conduzi-los para a prisão e até a morte. VERSO E REVERSO Acontecem certas coisas no Brasil que realmente não há como explicar. Um jovem de 16 anos é considerado totalmente apto para escolher um presidente da República e não apto para assumir plenamente as responsabilidades civis e criminais. Para ser soldado no Distrito Federal exige-se que o candidato tenha curso superior, enquanto um presidente da República pode ser um semi-alfabetizado. Só mesmo no Brasil! NEGATIVO Boas desculpas ou argumentos na ponta da língua não justificam o péssimo serviço de saúde pública e as constantes reclamações dos usuários via de regra carentes que recebem atendimento precário. O leitor Cleber Onei escreve para essa coluna mostrando sua revolta com o acontecido na semana passada na UBSs do Parque do Horto. Cleber mora nas proximidades e quando saia de casa, por volta das 6h30 da manhã para o trabalho, percebeu que cerca de vinte e cinco pessoas, algumas com crianças doentes no colo, idosos e pessoas enfermas, aguardavam uma vaga para serem atendidas, debaixo de chuva. Cleber conta que abriu os portões de sua casa para abrigar todos eles, uma vez que os responsáveis pela unidade de saúde não abrem os portões antes das 7 horas. Cleber termina pedindo as autoridades, bom senso e respeito a essas pessoas sofridas que buscam atendimento na UBSs do Horto. POSITIVO Apesar do horário indigesto, 18 horas do último sábado, o torcedor compareceu ao Lanchão para ver mais uma vitória da Francana na Série A-3. A “Feiticeira” não jogou bem, chegou a ser dominada pelo time de Itapira, mas foi perfeita nas finalizações, marcou 3, sofreu apenas 2 e venceu o jogo. Para melhorar, a Francana precisa, com urgência, contratar um meio-campista que prenda o jogo na hora certa e tranqüilize o time nos momentos de sufoco. BODAS Dois francanos conversam sobre as maravilhas do Oriente na Praça Barão. Um deles diz: - Quando completei 25 anos de casado, levei minha mulher ao Japão. - Não diga? E o que pensa fazer quando completarem 50? - Volto lá para buscá-la...

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