Dia virá que não ser membro da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) será crime. Não dou 30 anos. Juízes, jornalistas, jovens, cidadãos, acordai! “Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte”.
Basta entrar no youtube.com e digitar o nome daquele que se declara “bispo” e aparecerá o vídeo gravado por um, na época, irmão de fé. Não há o que se reclamar. Contra fatos não há argumentos. É ele ensinando como arrancar dinheiro do povo simples. Não há edição, é um vídeo contínuo, sem margem à desculpa do “contexto”.
Quem assiste à TV Record vê claramente uma campanha contra a Igreja Católica, contra outras religiões e contra parte da sociedade. De que forma? Através de notícias ruins, tomadas como exemplo para generalização. Por exemplo, a notícia de pedófilo, a Igreja tem 400 mil padres, provavelmente tem aí todo tipo de gente má; porém eu não conheço nenhum padre pedófilo, mas já tive perto, em Catanduva, um pastor pedófilo que estuprava as próprias filhas.
Enquanto essa igreja do bispo cresce, arrecada dinheiro, aplica nos meios de comunicação e elege políticos. Lentamente seu poder vai se entranhando na sociedade brasileira ameaçando não só a liberdade de opinião, como faz agora, como a própria liberdade, é questão de tempo.
Fiéis e pastores da IURD ajuizaram dezenas de processos por dano moral contra jornais. A Folha publicou em dezembro uma reportagem mostrando como o ‘bispo’ Edir Macedo usou o dinheiro do dízimo para montar um poderoso grupo empresarial registrado no paraíso fiscal de Jersey. O Extra e A Tarde noticiaram a agressão a uma imagem de São Benedito na Bahia.
Segundo a Folha, o grupo de Edir Macedo tem 23 emissoras de TV e 40 de rádio (é o maior proprietário de concessões do País), além de outras 19 empresas, registradas em nome de ‘pastores’. A IURD arrenda as emissoras que integram a Rede Aleluia, e Macedo tem 99% das ações da TV Capital, geradora da Rede Record.
Nas dezenas de processos ajuizados contra a Folha, pastores e fiéis da Universal reivindicam indenizações de R$ 1 mil a R$ 10 mil, sob a justificativa de que a reportagem lhes causou prejuízos morais. Os processos seguem o mesmo esquema: pedidos de indenização, com muitos parágrafos idênticos, são apresentados em juizados especiais em vários Estados, dificultando a defesa dos jornalistas e editores.
Dos 56 processos contra a Folha, quase uma dezena já são favoráveis ao jornal e um merece destaque. A juíza Zenair Arantes, de Xapuri, no Acre, condenou Maurício Muxió dos Santos por litigância de má-fé, aplicando-lhe multa e obrigando-o a pagar as custas. Um exemplo. E por aí, deve ir.
MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.
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