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Você já entrou em uma loja à procura de uma calça jeans, experimentou quase todos os produtos do mostruário, mas descontente saiu sem levar nada e deixou o vendedor com aquela cara de ‘Meu Deus que é isso’? Se não, é praticamente certo que você conhece alguém que já o fez. Para quem está do outro lado do balcão, haja paciência... Para entrar para o mundo dos vendedores, além de paciência é preciso muito ânimo para atender bem os clientes e disposição para vender cada vez mais. A rotina não exige um esforço físico excessivo, a não ser nas vésperas de datas comemorativas, quando as lojas mais parecem formigueiros e o vendedor precisa adquirir habilidades multifuncionais para dar conta de tanto serviço. Mesmo assim, há quem garanta que se você tiver “jeito para coisa” e gostar do que faz, o trabalho é até mais simples do que parece. “Vender é uma profissão muito boa. Se a pessoa tiver o dom, vale a pena investir, afinal não cansa e ganha bem”, disse o vendedor da Loja Ópera Rock, Alexandre Miron, 19. Mesmo sem nenhuma experiência, Alexandre foi admitido no fim de 2007. Ele, assim como a maioria dos vendedores, não recebe um salário fixo, mas um percentual em relação ao valor de suas vendas. “Essa porcentagem pode variar de uma empresa para outra, mas geralmente recebo R$ 1,3 mil por mês”. Mesmo com um salário bem acima do mínimo brasileiro (R$ 380), Alexandre não abre mão da formalidade do emprego. “Sou registrado e ainda tenho direito a vale-transporte”. Durante a semana, os vendedores trabalham em média oito horas por dia. Aos sábados o expediente é mais curto, com duas horas a menos. Por mês, eles têm uma meta de rendimento a ser cumprida. Aqueles que não a alcançam podem sofrer cortes de benefícios ou ainda ter o salário reduzido. Os demais geralmente são premiados com bônus em prêmios, dinheiro ou folgas. O vendedor de telefonia do Magazine Luiza, Mateus Queiroz, 21, nunca deixou de cumprir as suas, não é à toa que recebe em média R$ 1.800 (salário bruto). Mas para ele não é só isso que conta. “Encontrei uma profissão onde eu posso ser eu mesmo, um emprego que combina com a minha personalidade. Eu sou extrovertido, comunicativo e não conseguiria trabalhar em uma sala, fechado. Deus me livre!”, desabafa. Para a sorte de Mateus, um vendedor pode atuar em lojas de todos os segmentos como vestuário, alimentação, eletroeletrônicos, entre outros. Mas independente do local, qualidades como profissionalismo, extroversão, simpatia, poder de negociação e jogo de cintura são imprescindíveis a um bom vendedor. “A gente precisa lidar com clientes indecisos, aqueles que só vão dar uma olhadinha, outros que chegam de mau humor e algumas situações bem chatas, mas conversando a gente se entende”. MERCADO PROMISSOR Muitas pessoas, principalmente aquelas que nunca trabalharam, vêem nas vagas para vendedores temporários uma forma de adquirir conhecimento, mostrar um bom trabalho e assim conseguir ser efetivamente contratado pela empresa. Mateus começou assim, como vendedor temporário do Magazine contratado somente para o Dia das Crianças, e agora, depois de quase dois anos, garante que a experiência vale a pena. “Na época eu recebia R$ 25 por dia. Fiz de tudo para mostrar que era capaz e me dei bem”. Vale lembrar que, em algumas empresas, novos funcionários, além do período de experiência, precisam participar de cursos de treinamento para aprender a dinâmica da empresa. Para se especializar, os interessados podem investir em cursos profissionalizantes ou tecnológicos.

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