Professores buscam justiça


| Tempo de leitura: 2 min
“De tanto ver triunfar as nulidades / De tanto ver crescer as injustiças / De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus / O homem chega a desanimar-se da virtude, a rir da honra / E ter vergonha de ser honesto”. O texto é de Rui Barbosa, grande jurista, escritor e político, ele que, do alto de sua arguta sabedoria dizia que chegaria o dia em que a injustiça triunfaria. Estamos próximos a isso. Sou professora, uma das substitutas concursadas em conformidade com a Lei Complementar 039 de 30 de novembro de 2001. Integro com dezenas de outros mestres, grupo que procura viver com dignidade e realizar trabalho com a firme consciência do papel que devemos representar no contexto da sociedade. Todos sabem que um concurso público confere aos aprovados a estabilidade no emprego, mas parece que em Franca essa não é a regra. Sem nenhum aviso ou notificação, da noite para o dia tiraram nosso ganha-pão. Quase cem professores, entre eles mulheres grávidas, arrimos de família, profissionais que necessitam para o próprio sustento do ganho advindo das aulas ministradas, de repente estão sem trabalho. Há que se esclarecer que para a realização do concurso todos os trâmites legais foram cumpridos. Houve, através da Lei Complementar, a criação do cargo de professor substituto permanente, sendo que para aprovação desta Lei por duas vezes a Câmara dos Vereadores votou favoravelmente. O edital foi publicado, os prazos devidamente cumpridos, a prova elaborada e aplicada por uma empresa de grande respeitabilidade nacional: a VUNESP. Após dias e noites de estudos, investimentos em cursos preparatórios, fizemos a prova e fomos aprovados. Desde a homologação do concurso temos sido contratados regularmente, exercendo nossa profissão de educadores com responsabilidade e idealismo. Ocorre que o ano letivo está em andamento desde o dia 11 de fevereiro e ainda não fomos convocados para o cargo que nos compete. Em declarações recentes, feitas à imprensa local, a atual administração alega que o Tribunal de Contas do Estado apontou irregularidades quanto à forma de contratação dos professores substitutos permanentes, porém se esquece de mencionar que quando o mesmo órgão questionou a razão dos contratos, se omitiu. E, pior: negligenciou suas funções deixando que se esgotasse o prazo das devidas explicações. E agora? Haverá caminho para nós, concursados que somos e que desde a aprovação temos exercitado nossa atuação da maneira mais honesta possível? Nossas vidas, dependentes do que somos e do que fazemos, terá continuidade? Certamente não merecemos o tratamento indiferente que temos recebido. É preciso que a justiça triunfe! AUGUSTA CRISTINA MOREIRA é professora e porta-voz de demais professores substitutos permanentes de Franca.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários