Ameaças de uma onda de rebeliões em todas as unidades policiais do Estado levaram a Polícia Civil de Franca a ocupar a cadeia do Jardim Guanabara ontem. Durante a revista, foram apreendidos dez telefones celulares, carregadores, baterias e porções de maconha.
Todos os 441 presos foram fotografados para a atualização do álbum digital de criminosos.
Desde o começo do mês, uma carta atribuída ao PCC (Primeiro Comando da Capital) circula nas penitenciárias de São Paulo denunciando supostos maus-tratos em estabelecimentos onde funciona o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). No “salve”, a facção dava prazo até 15 de fevereiro para o governo paulista extinguir o regime ou transferir os presos, o que não foi feito.
Embora, oficialmente, não tenha dado crédito para o conteúdo da carta, a polícia recomendou atenção para os agentes e passou a monitorar suspeitos de integrarem a facção. Foi justamente para prevenir alguma ação orquestrada e manter a aparente tranqüilidade que a cúpula da Polícia Civil determinou a faxina na cadeia. “Não acredito que vá acontecer alguma movimentação orquestrada como ocorreu em 2006. Cabe à polícia coibir a atuação da facção e, isto, estamos fazendo. Não vai ser aqui, nem em lugar nenhum, que o PCC vai mandar ou colocar temor nos policiais. Se vierem, estamos preparados com a devida violência e força necessária”, avisou o delegado Eduardo Lopes Bonfim, diretor da cadeia.
Empunhando armas de grosso calibre, os policiais tomaram conta do presídio e colocaram todos os presos apenas de cueca no pátio.
Enquanto uma equipe revistava as celas, outra registrava as imagens de cada um dos detentos. “Precisávamos atualizar nosso banco de dados. Todos as pessoas que forem detidas ou presas serão fotografadas e terão sua ficha inserida em nossos arquivos. Com o cadastro digital, teremos melhor condição de saber quem são e como agem os criminosos que atuam em nossa área”.
Acompanhada por representantes do Ministério Público, a revista durou cerca de três horas e não registrou incidentes. Além dos telefones celulares, a polícia apreendeu instrumentos que poderiam ser usados na escavação de túneis e dois chuveiros quentes, que estão proibidos desde a última tentativa de fuga ocorrida em janeiro. Presos tidos como líderes deverão ser transferidos nos próximos dias para evitar que se organizem para tramar crimes mesmo estando recolhidos.
As cadeias de Batatais, Pedregulho e Miguelópolis, que são de responsabilidade da Delegacia Seccional de Franca, também vão ser alvo de operações semelhantes à ocorrida ontem no presídio do Jardim Guanabara. A intenção da polícia é prevenir qualquer tentativa de fuga ou motim.
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