O tempo fechado com muitas nuvens escuras no céu, comum nesta época do ano, pode ser sinal de perigo em Franca. O alerta é feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que, com base em dados de anos anteriores, revela: a cidade teve um aumento de 31% na incidência de raios. Entre 99 a 2004, a média era de 1.064 raios por quilômetro quadrado ao ano. No levantamento mais recente, referente aos anos de 2005 e 2006, a média é de 1.400 raios ao longo dos 12 meses.
Para Osmar Pinto Júnior, coordenador do Grupo Elat (Eletricidade Atmosférica), ligado ao Inpe, a causa de tantas descargas elétricas é o fenômeno La Niña. Ele seria o responsável pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico, que forma as tempestades e, conseqüentemente, provoca os raios.
Para o pesquisador, o índice de Franca é considerado alto. Num ranking geral, onde foram incluídos os 645 municípios paulistas, Franca fica na posição 291 à frente de muitas cidades da região como Ribeirão Corrente, Pedregulho, Jeriquara, Restinga e Batatais (confira quadro nesta página). “A região de Franca não está entre as campeãs em incidência de raios no Estado, mas o índice é considerado alto, principalmente se levarmos em conta que o estudo subestima o valor real, pois a Rede Brasileira de Detecção Atmosféricas não detecta descargas mais fracas”.
Entre os fatores que contribuem para a formação dos raios na cidade estão o relevo (cadeia montanhosa), a atmosfera poluída e a temperatura elevada provocada pela concentração de asfalto e falta de vegetação.
De acordo com o Inpe, um único raio tem a força de 100 milhões de volts. O valor é cerca de 13 mil vezes maior que a corrente elétrica comum em uma residência. Além de provocar incêndios, quedas de energia e prejuízos, os raios também matam. De janeiro até agora, 11 pessoas já foram vítimas no Estado de São Paulo de descargas elétrica provocadas pelo fenômeno. Na região de Franca, inclusive, uma jovem de 19 anos morreu no início de janeiro, vítima de um raio. Ela foi atingida por uma descarga elétrica enquanto caminhava em uma estrada próximo ao sítio da família. No ano passado, em todo o Brasil, foram 46 mortes registradas por raio, 17 somente em terras paulistas.
No Estado, a zona leste de São Paulo, cidades do ABC e as regiões de Campinas e do Vale do Paraíba são as campeãs do ranking.
Osmar Pinto Júnior disse que a incidência de raios no Estado deve continuar até o fim de março. “O fenômeno La Niña continua ativo, por isso há chances dos raios se estenderem até abril”.
Segundo o especialista, durante um temporal com raios, a recomendação é que as pessoas que estão fora de casa busquem abrigo. Não é indicado ficar em descampados ou debaixo de árvores.
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