Está na pauta do dia, mas ainda longe de chegar ao fim. As rodadas de negociações entre os sindicatos dos sapateiros e da indústria mal começaram, embora a data-base que estabeleceria novos patamares salariais para a categoria de trabalhadores tenha ficado para trás, mais precisamente em 1º de fevereiro.
Embora o leitor menos ambientado às questões que envolvem esse universo acredite que 40 rodadas de reuniões e conversas seja um processo demasiado longo, foi essa a quantidade de encontros realizada no ano passado. Em 2008, foram oito até agora; a próxima será amanhã. Quinta-feira tem mais.
É interessante notar que a reboque dos apertos de mão e cafezinhos entre os sindicalistas dos dois lados, milhares de trabalhadores aguardam ansiosamente pela decisão e pelo futuro.
Para a mais importante categoria trabalhista de Franca, um piso salarial de R$ 630, reajuste de 15% para todas as ocupações e uma elevação do abono escolar para 30% do salário, contra os R$ 130 lineares atuais, seria perto do ideal.
Para o sindicato mais representativo da cidade, a premissa que sustenta a pauta se espelha no bom momento pelo qual passa a indústria, a despeito de algumas baixas. Leia-se, Calçados Agabê.
Mas tal como o vendedor de carro que pede um pouco a mais sabendo que o comprador vai “chorar”, o Sindicato dos Sapateiros cumpre com a mesma estratégia. Não é provável prever, embora fosse possível, que as reivindicações sejam aceitas pelo patronato.
Em entrevista ao Comércio da Franca na semana passada, o presidente do Sindifranca, Jorge Donadelli, avaliou como irreais as intenções do Sindicato dos Sapateiros. Em resposta, a indústria oferece um piso de R$ 500 e um reajuste de 4% para todos os trabalhadores que ganhem salários acima desse valor.
A bem da verdade, o que não é bom para os trabalhadores, o registro histórico das últimas campanhas salariais nunca apontou valorações superiores a 6%, em média. Esperar que chegue a 10% é uma utopia.
SAMELLO PAGA INDENIZAÇÕES
O que muita gente, com razão, deu por perdido, a empresa anunciou que vai fazer no início de março. Depois de um ano e meio, a Samello vai começar a pagar indenizações trabalhistas a parte de seus funcionários. Depois de anunciar sua volta ao mercado, com contratações e produção tímidas, a empresa deve cumprir com um cronograma que estabelece, entre os dias 5 e 7 de março, o pagamento de R$ 1,5 milhão à mão de obra dispensada em 2005.
FRANCAL 2008 PRONTA
A Francal Empreendi-mentos confirmou: está tudo pronto para a 40ª edição da Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes que acontece entre os dias 1º e 4 de julho, no pavilhão de exposições do Anhembi, em São Paulo. Para 2008, a organização espera ultrapassar a marca dos 53 mil visitantes registrada no ano passado. Para tanto, serão 46 mil metros quadrados de área destinada aos estandes. No mercado nacional de calçados, a Francal marca o início oficial da moda primavera-verão.
OLHOS VOLTADOS PARA O ORIENTE MÉDIO
Produtores de calçado brasileiros estão voltando suas atenções para o Oriente Médio, como nova possibilidade de exportação de seus produtos, que hoje não chega a 2% do total. É quase unanimidade entre os produtores de diferentes regiões do País, que é necessário um trabalho de marketing e convencimento importante, demonstrando que o calçado brasileiro atinge, principalmente em qualidade, as necessidades dos compradores médio-orientais. Países como Emirados Árabes ou Dubai, por exemplo, estão vivendo uma experiência econômica que faz os olhos do mundo se voltarem para eles. “Se todos estão querendo firmar parcerias econômicas com eles, também é verdade que eles estão esperando o mesmo do Brasil”, disse o gerente de exportações da Freeway, de Franca, Cléber de Oliveira.
EXPORTAÇÕES DE COURO SOBEM 4%
A boa novidade no setor de exportações da cadeia coureiro-calçadista está no aumento das exportações de couro, que em janeiro totalizaram US$ 183, 4 milhões. O valor é 4% maior que o registrado em janeiro do ano passado, mesmo mês de comparação.
Os dados são do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), com base no balanço da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O aumento das exportações, no entanto, está ligado a setores diversos, como o automotivo e de móveis, cujo produto tem um alto valor agregado. Do total das exportações, perto de 60% do couro é destinado para esse mercado, enquanto que o restante destina-se à fabricação de vestuário e calçados.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.