De cada cinco famílias francanas, uma vive na linha da pobreza. Não existem cálculos exatos, mas estima-se que 20% da população sobreviva com R$ 120 ou menos por mês. Os dados têm por base o cadastro único da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Ação Social, que possui 12.477 famílias cadastradas e precisando de ajuda. Considerando que cada família tem em média cinco moradores, seriam mais de 62 mil pessoas vivendo com dificuldades.
A maioria destes núcleos familiares, formados normalmente por mais de três filhos, são chefiados por mães solteiras, pelas avós ou pais desempregados. A renda com que sobrevivem é de até R$ 4 por pessoa por dia, valor considerado insuficiente pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome para suprir as necessidades básicas do ser humano.
O cadastro inclui moradores de todas as regiões da cidade. “Temos usuários cadastrados no município inteiro, até na região central. Vários fatores determinam a situação de vulnerabilidade dessas famílias, como a renda da casa e quem a chefia”, disse Dalva Deodato, diretora da rede de Assistência Social da Secretaria de Ação Social.
A Prefeitura, em parceria com os governos estadual e federal, atende 75% das famílias cadastradas com algum tipo de benefício.
Existem cinco programas principais de transferência de renda: Bolsa Família, Renda Mínima, Renda Cidadã, Ação Jovem e Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Os beneficiários recebem a partir de R$ 18 por mês. O Bolsa Família pode pagar até R$ 120 por família, mas a média da bolsa em Franca é de R$ 45 mensais. “São valores complementares à renda dos usuários. Nenhum programa é suficiente para sustentar a família”, disse Dalva.
Na cidade, outras 3.170 famílias carentes continuam sem ajuda financeira. “Nenhum município consegue atender 100% das famílias necessitadas, que vivem na linha da pobreza”, lamenta Dalva. Mas a Secretaria de Ação Social procura ampliar as vagas todos os anos.
“Trabalhamos para manter o serviço de cadastro ágil, temos zelo no cumprimento das exigências para validar o cadastro e ampliar as vagas junto aos governos estadual e federal”.
Há três anos, a sapateira desempregada Lidiane dos Santos, 21, aguarda para receber o benefício do Bolsa Família. Ela tem dois filhos (um de três anos e uma bebê de dois meses). Sem trabalho, é sustentada com o salário de seu pai, que é pedreiro e ganha apenas R$ 300. “Nem sempre tenho dinheiro para comprar leite e comida. É muito triste ver meu filho pedir e não ter nada para dar para ele comer. Tenho de pedir ajuda para os vizinhos”, disse, emocionada.
Outro dado preocupante revelado pelo cadastro da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social é o crescimento no número de famílias pobres da cidade. Em maio de 2006, o total era de dez mil núcleos. Hoje são 12.477. São mais de 500 novas famílias que passam a ser classificadas como pobres por ano.
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