Às margens da miséria


| Tempo de leitura: 2 min
De cada cinco famílias de Franca, uma vive na linha da pobreza. Não existem
De cada cinco famílias de Franca, uma vive na linha da pobreza. Não existem
De cada cinco famílias francanas, uma vive na linha da pobreza. Não existem cálculos exatos, mas estima-se que 20% da população sobreviva com R$ 120 ou menos por mês. Os dados têm por base o cadastro único da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Ação Social, que possui 12.477 famílias cadastradas e precisando de ajuda. Considerando que cada família tem em média cinco moradores, seriam mais de 62 mil pessoas vivendo com dificuldades. A maioria destes núcleos familiares, formados normalmente por mais de três filhos, são chefiados por mães solteiras, pelas avós ou pais desempregados. A renda com que sobrevivem é de até R$ 4 por pessoa por dia, valor considerado insuficiente pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome para suprir as necessidades básicas do ser humano. O cadastro inclui moradores de todas as regiões da cidade. “Temos usuários cadastrados no município inteiro, até na região central. Vários fatores determinam a situação de vulnerabilidade dessas famílias, como a renda da casa e quem a chefia”, disse Dalva Deodato, diretora da rede de Assistência Social da Secretaria de Ação Social. A Prefeitura, em parceria com os governos estadual e federal, atende 75% das famílias cadastradas com algum tipo de benefício. Existem cinco programas principais de transferência de renda: Bolsa Família, Renda Mínima, Renda Cidadã, Ação Jovem e Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). Os beneficiários recebem a partir de R$ 18 por mês. O Bolsa Família pode pagar até R$ 120 por família, mas a média da bolsa em Franca é de R$ 45 mensais. “São valores complementares à renda dos usuários. Nenhum programa é suficiente para sustentar a família”, disse Dalva. Na cidade, outras 3.170 famílias carentes continuam sem ajuda financeira. “Nenhum município consegue atender 100% das famílias necessitadas, que vivem na linha da pobreza”, lamenta Dalva. Mas a Secretaria de Ação Social procura ampliar as vagas todos os anos. “Trabalhamos para manter o serviço de cadastro ágil, temos zelo no cumprimento das exigências para validar o cadastro e ampliar as vagas junto aos governos estadual e federal”. Há três anos, a sapateira desempregada Lidiane dos Santos, 21, aguarda para receber o benefício do Bolsa Família. Ela tem dois filhos (um de três anos e uma bebê de dois meses). Sem trabalho, é sustentada com o salário de seu pai, que é pedreiro e ganha apenas R$ 300. “Nem sempre tenho dinheiro para comprar leite e comida. É muito triste ver meu filho pedir e não ter nada para dar para ele comer. Tenho de pedir ajuda para os vizinhos”, disse, emocionada. Outro dado preocupante revelado pelo cadastro da Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social é o crescimento no número de famílias pobres da cidade. Em maio de 2006, o total era de dez mil núcleos. Hoje são 12.477. São mais de 500 novas famílias que passam a ser classificadas como pobres por ano.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários