‘Ganho comida dos meus conhecidos’


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Luciana de Souza, 37, moradora no Jardim Esmeralda, vive numa casa de dois cômodos com as duas filhas, uma neta e está grávida de seis meses. A família dela é uma das 3.170 cadastradas na Prefeitura à espera de receber algum benefício do governo para sustentar todos os familiares. Há quatro anos, ela fez inscrição para pleitear o Bolsa Família, mas não sabe quando receberá o benefício. Com problemas de saúde (tireóide, pressão alta e problemas de coração), não pode trabalhar. As filhas são menores, uma tem 15 anos e a outra 3. A única renda da família é o pagamento de R$ 380, fruto de uma ação movida contra o ex-patrão dela, dono de uma granja. “Ele descontava o INSS do meu pagamento, mas não recolhia de verdade. Consegui uma advogada que não cobrou nada e entrei na Justiça. Ganhei a ação e é tudo que recebo para sobreviver e sustentar as meninas. Quando dá, faço faxina e passo roupa para fora mesmo sem poder”, disse. Luciana paga R$ 100 de aluguel e já chegou a gastar R$ 120 com água (ela divide a conta com a vizinha. Uma paga a conta de água e a outra a de energia elétrica). Com alimentação, desembolsa R$ 180 todos os meses. Quando não tem dinheiro e os armários estão vazios, recorre aos vizinhos. “Ganho comida dos meus conhecidos. Quando tem o que comer, fazemos duas refeições. Em dias sem comida, comemos só pão, laranja e verdura que ganho”. Ela tem familiares em Franca, mas disse não ter ajuda deles. “Meus parentes são bem de vida, mas ninguém me ajuda. Sempre fui assim, vivi sozinha”.

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