A bebida da fé


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No terceiro domingo da Quaresma, a palavra de Deus revela Jesus junto a um poço e diante de uma mulher samaritana que busca água. No diálogo, ele percebe que falta a ela outro tipo de água, que é a fé, para que seja feliz. Só Cristo possui a água que sacia para sempre. A primeira leitura é do livro do Gênesis, que relata a viagem através do deserto que o povo de Israel faz guiado por Moisés. O início foi de grandes prodígios. Até cantaram porque estavam certos da presença de Deus ao seu lado. Depois começaram as dificuldades: o calor sufocante do deserto, o cansaço, as serpentes, a fome e, sobretudo a sede. No deserto a vida é difícil. Os israelitas passam a duvidar da fidelidade de Deus às suas promessas. A experiência de Israel que sai do Egito se repete na vida de todo cristão. Por sermos batizados pensamos que não teremos mais dificuldades, o Espírito Santo nos conduzirá sempre, seremos eternamente felizes. Aos poucos surgem as dificuldades. A esta altura passamos a duvidar que Deus realmente acompanhe a nossa vida e que nos protege, defende e abençoe. Como os israelitas queremos “provas” do amor de Deus. Esta pedagogia é própria da nossa condição frágil, limitada. Quando desafiamos Deus, ele não reage com castigos, pois sabe que não é fácil acreditar em determinados momentos frente a alguns acontecimentos. Em meio às dificuldades e incertezas da vida, podemos chegar ao ponto de pensar que Deus nos tenha abandonado e que a nossa esperança não tenha nenhuma base sólida. Na segunda leitura aos Romanos o apóstolo Paulo ensina que a esperança cristã não está alicerçada nas nossas boas obras, mas no amor de Deus. O amor de Deus não é inseguro como o nosso. Temos facilidade para amar os bons, os amigos, os que nos proporcionam o bem. Deus é diferente de nós. Deus ama os homens também se são seus inimigos: e a grande experiência disto está no seu Filho que veio ao mundo para salvar a todos. São Paulo diz que a nossa esperança nunca será em vão, não porque nós somos bons, mas porque Deus é bom. O evangelho vai tratar do encontro de Jesus com a samaritana, diante de um poço. O poço era o lugar onde as pessoas se encontravam. Ali os pastores vinham para matar a sede dos seus rebanhos; ali se encontravam os comerciantes com suas mercadorias e as mulheres buscavam água para a lida diária. A Bíblia relata muito desses encontros junto ao poço. O poço descrito no evangelho ainda existe na cidade de Siquém, jorrando água boa e fresca vinda dos seus 32 metros de profundidade. Jesus, cansado da viagem, senta-se junto ao poço, à espera dos seus discípulos que foram comprar alimentos no vizinho povoado de Sicar. É meio-dia quando chega uma mulher para buscar água e Jesus lhe pede de beber. A mulher se espanta porque pelo sotaque percebe que aquele homem é galileu e é odiado pelo samaritano. Os discípulos quando chegam também se espantam vendo Jesus conversar tranqüilamente com uma samaritana. O comportamento de Jesus mostra que ele não se deixa influenciar por regras que discriminam. A mulher conta-lhe um pouco da história dos seus amores, dos seus adultérios, das suas traições, as mesmas do povo de Deus. Jesus tem para aquela mulher uma água que ela ainda não conhece. A água do poço é o símbolo de todas as satisfações, de todos os prazeres que buscamos na esperança de que nos ofereçam a própria felicidade, mas que no fim nos deixam sempre muito vazio e muita desilusão, muito amargor na boca. A água viva que Jesus promete é o espírito de Deus, é aquele amor que enche os corações; quem se deixa guiar por este Espírito encontra a paz e não precisa de mais nada. Conversando com Jesus a mulher samaritana se enche de alegria. Uma atitude nova ela possui: abandona o seu jarro e corre a anunciar a todos a sua descoberta e a sua felicidade. E NÓS? COMO FAZER? A Palavra de Deus deste domingo nos faz descer ao profundo de nós mesmos. Ajuda-nos a rever nossas opções, projetos, enfim, toda a nossa vida. Hoje Deus ilumina-nos mostrando que precisamos educar nossos desejos e em que devemos centrar nossas energias. Corremos os riscos de percorrer caminhos superficiais e girar unicamente em torno do círculo do poder, da ganância, do mau uso da liberdade. Quem ouve a voz de Deus bebe desta fonte que jorra eternamente, tornando-se sinal vivo do Senhor, no meio do mundo, como a mulher samaritana. A AJUDA QUARESMAL O tempo da Quaresma é um caminho que nos ajuda a orientar nossos desejos para o sentido sagrado e eterno da vida. Devemos percorrê-lo orientados por Cristo, que saciou a sede da samaritana. A Quaresma é tempo propício para escolher a vida verdadeira, que é Cristo, e nele, por ele e com ele, nos engajarmos em projetos em defesa da vida. A VIDA É DOM Viver é o presente de Deus que se renova no momento em que acordamos para um novo dia. Cada manhã é renovação da esperança de encontrar, naquele dia, a felicidade. Cada dia da vida é bênção sobre bênção. Não fomos criados para o mal e sim para o bem. Na experiência da nossa vida aprendemos em tudo que acontece que Cristo sempre responde às aspirações mais profundas que possuímos. A fé nos aproxima de Deus. PARA LEMBRAR Amanhã, dia 25 , lembramos, com carinho, os idosos. Dia 1º de março é o Dia Internacional de Luta por um mundo sem bomba nuclear.

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