Estudantes da zona rural se sacrificam para estudar


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Estudantes de Patrocínio Paulista sofrem com a superlotação na volta para casa; eles dividem espaço com quem pega carona
Estudantes de Patrocínio Paulista sofrem com a superlotação na volta para casa; eles dividem espaço com quem pega carona
Rafael Ferreira tem 13 anos e um grande sonho. Ele cursa a 8ª série na Escola Estadual “Jorge Faleiros”, em Patrocínio Paulista, e sonha em se formar advogado ou professor. Ainda não se decidiu. Mas seja qual for sua escolha terá que estudar muito. E é exatamente o que faz. Mas não tem sido fácil. Para chegar à escola às 7 horas, precisa acordar às 4h30. Essa não é a realidade apenas de Rafael. Em Franca e região, 6.827 estudantes moram na zona rural e dependem do transporte escolar para estudar. Além de ter que madrugar todos os dias, Rafael e os colegas ainda enfrentam outros problemas que tornam a ida à escola mais sacrificante: os buracos na estrada, ônibus nem sempre muito conservados e a superlotação. Na falta de um transporte alternativo, famílias inteiras utilizam o ônibus escolar para ir à cidade. Na viagem de volta para casa, após a aula na última terça-feira, o ônibus em que Rafael estava tinha cerca de 70 pessoas para 56 lugares. Mais de 10 eram “caroneiros”. “Não sou contra as pessoas que pegam carona. Só acho ruim que elas sentem e os estudantes fiquem em pé”, lamenta o garoto. O secretário de Educação de Patrocínio Paulista, Elder Alves, disse que a prática é proibida desde o ano passado. “Só permitimos o acesso dos pais na primeira semana para adaptação das crianças”. A estudante Marlene dos Santos, 17, cursa a 8ª série na Escola Estadual “Farid Salomão” e não agüenta mais acordar às 4 horas para estudar. Ainda com sono, ela e os irmãos, Adeilton, 15, e Vilson, 12, andam uma hora e meia até o ponto de ônibus. “Como é muito cedo, a minha mãe tem que levar a gente todo dia”, disse Marlene. A família vai de lanterna e chinelo para não sujar os tênis no barro em dias de chuva. “Nesse horário, está fazendo muito frio e a gente ainda tem medo de onça”, disse a garota. Até chegar ao ponto, os estudantes passam por matas fechadas e pontes estreitas. A jovem Elaine Barbosa da Silva, 16, tem que andar apenas cinco minutos até o ponto de ônibus, mas também tem que madrugar. Às 5 horas já está de pé. Antes das 6, já está dentro do ônibus. A viagem dura quase duas horas. Elaine, que cursa o 2º ano do ensino médio, depende de ônibus para estudar desde a pré-escola. Agora é responsável pela irmã Andreza Barbosa, 7. “Triste mesmo é quando o pneu fura ou o ônibus estraga no meio do caminho”. Para conseguir acordar tão cedo, a maioria dos estudantes dorme antes das 21 horas. Já o motorista Carlos de Freitas, 60 anos, 31 deles transportando alunos, só vai dormir depois da uma da manhã. Ele é responsável por transportar as crianças que estudam de manhã e a turma da noite. “Quando termino de entregar a turma da manhã, fico esperando os alunos da noite. Depois que termina a aula, levo eles de volta”. Freitas dorme em uma casa cedida por um fazendeiro. O seu dia começa pouco depois das 5 horas. É hora de pegar o Rafael, a Marlene, o Ricardo, a Elaine.... Colaborou Alex Arcanjoleto

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