Quem mora entre os bairros Estação e City Petrópolis tem mais que o dobro de chances de pegar dengue do que a maioria dos francanos. A constatação veio com o resultado do Índice Breteau (IB), que avalia a presença do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença, no município. De acordo com a medição, a área determinada pela Prefeitura como de número 2, atingiu 1,5, número superior ao aceitável pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde), que classifica a infestação acima de 1 como um risco à saúde pública. E a situação deve piorar.
O Índice Breteau foi adotado no Estado de São Paulo para medir a proliferação do Aedes aegypti. É relação entre o número de recipientes positivos (com presença de larvas do mosquito da dengue) e o número de imóveis pesquisados, ou seja, um IB de 1,5 significa que, para cada 100 imóveis pesquisados, houve 1,5 recipiente positivo encontrado.
Pode parecer pouco, mas no City Petrópolis, por exemplo, há 1.818 imóveis residenciais, o que significa que existem 28 criadouros. Em cada um deles, dezenas de larvas do voraz mosquito da dengue podem estar instaladas.
Os dados levantados pela reportagem foram colhidos pela Secretaria de Saúde de Franca em outubro do ano passado e, de acordo com o chefe da Vigilância em Saúde do município, Fernando Baldochi, tendem a aumentar com o período das chuvas. “É entre janeiro e maio que a doença realmente ‘aparece’ e o IB pode chegar a 6. Por isso, nessa época, concentramos o trabalho de nossos 30 agentes em ações de bloqueio”, disse Baldochi.
Apesar da diferença apontada pelo índice, ele acredita que o risco de se contrair a doença é o mesmo em toda a cidade. “Isso comprova que temos o mosquito e como Franca recebe universitários e viajantes de várias regiões do País, perigo de termos uma epidemia existe, o que nos deixa em alerta”.
O ÍNDICE E A CIDADE
Ao serem colocados no mapa de Franca, o número de casos confirmados da doença no ano passado no município e as informações do índice, se percebe que realmente há pouca lógica na contaminação. Cinco, das 18 pessoas que tiveram dengue na cidade em 2007, moravam nos bairros Vila Aparecida, Brasilândia e Jardim Seminário, localizados na região Leste de Franca, que fica bem longe da região Norte, indicada pelo IB como a de maior risco. “É impossível prever os locais onde os casos serão registrados porque às vezes a pessoa mora e trabalha em áreas diferentes”, explicou o chefe da Vigilância.
Ainda segundo ele, a área 7, que vai do Santa Rita até o complexo do Aeroporto, não aparece no levantamento do índice de densidade larvário, mas as visitas realizadas pelos agentes revelaram que, nos criadouros encontrados, 97% das larvas eram do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.
Para realizar o levantamento, os agentes da Vigilância Ambiental visitaram 4.087 residências.
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