Era para hoje?


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O trabalho era para hoje? Prova na primeira aula? A conta de energia venceu há 15 dias? A maioria das pessoas já passou ou provavelmente passará por situações similares a essas e a culpa, quase sempre, é dela (ou melhor, da falha dela): a memória, a qual todas as informações utilizadas no dia-a-dia estão relacionadas. Mas, afinal, o que é a memória? A definição mais simples é de que se trata de uma função do sistema nervoso que compreende a aquisição de informações ou aprendizado, seu armazenamento ou conservação e a recordação. No entanto, o tema é amplo e cheio de peculiaridades. A doutoranda em Saúde do Trabalhador pela Escola de Enfermagem da USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto, e pela Universidade de Alberta no Canadá, Marcela Luiza Manetti, 26, explica que a capacidade de memorização é diferente em cada indivíduo, mas todos são capazes de ter o mesmo nível de memória. “O que difere é a qualidade e o treinamento da capacidade de memorização, sendo que alguns fatores como idade, estresse e nível de concentração podem ter grande influência”, afirmou. Uma infinidade de objetos, rostos, cheiros, sabores, informações, sentimentos, números, conhecimentos e tantas outras coisas vão sendo estocados no cérebro, que, volta e meia, é capaz de remeter a determinados momentos da vida em questão de segundos, como quando, por exemplo, se sente um cheiro familiar. “Toda vez que sinto cheiro de manga lembro da casa da minha avó, onde ela morou quando eu tinha uns cinco anos”, conta a estudante de direito Renata Cabral, ao lado do amigo Alessandro Gusmão Oliveira, que lembra da primeira namorada quando chupa balas de maçã verde. Marcela explica que lembrar o momento exato em que aquele perfume fazia parte da vida quer dizer que de nada valeria tanta informação guardada se ela não pudesse ser recuperada. “Cada memória fica armazenada separadamente em um local específico do cérebro. Assim, quando precisamos resgatar uma determinada informação, é necessário achar o compartimento exato em que ela se localiza”, disse a universitária. “Para isso o cérebro possui mecanismos químicos que servem para encontrar a memória armazenada”, disse. Algumas memórias mais urgentes, segue ela, como aquelas de perigo ou urgência, são localizadas mais rapidamente do que outras, como o rosto do antigo colega de classe de anos atrás, que não envolve risco direto ao indivíduo. Mas, por que alguns lembram melhor dos cheiros enquanto outros não esquecem conversas ou rostos? Embora todos os indivíduos possuam capacidade para desempenhar as funções cerebrais, certas pessoas desenvolvem melhor algumas áreas do cérebro do que outras. Por isso uns se atentam e reconhecem mais odores, enquanto outros, fisionomias. A educação e o estímulo durante a infância e no aprendizado, também são razões para essa diferenciação, explica a pesquisadora. O bombardeamento de informações cada vez mais intenso, advento do final do século 20 e a chegada da era da informação, muitas vezes obriga o indivíduo a absorver ao máximo o que ocorre ao seu redor, apenas para se manter atualizado. Diante disso, Marcela alerta para a importância da priorização das horas de sono. Durante o sono as informações adquiridas são organizadas e armazenadas pelo cérebro. Mas para isso todas as fases do sono precisam acontecer. Portanto é necessário um número mínimo de horas dormidas, o que varia de acordo com a idade. “À medida que envelhecemos, essa quantidade diminui”, avaliou Marcela. TREINAMENTO Leitura e música clássica são estímulos para a memória. Segundo a doutoranda, a prevenção da perda da memória tem sido tema constante de estudos acadêmicos, mostrando que hábitos como ler e ouvir música clássica fazem bem à saúde mental. “É uma área que gera muito interesse entre pesquisadores do mundo inteiro. Alguns aspectos já são conhecidos como, quanto maior é o estímulo que o cérebro recebe durante a infância e adolescência, maior será a sua capacidade de armazenamento. Entre esses estímulos destacam-se a leitura e o hábito de escutar música clássica”, afirmou. As doenças degenerativas neurológicas, como o Mal de Alzheimer, são amplamente influenciadas por fatores genéticos, mas, de acordo com Marcela, estudos têm comprovado que pessoas que estimularam mais seus cérebros durante a vida, apresentam os sintomas do adoecimento mais tardiamente e de forma mais branda.

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