Outro dia fomos procurados no Centro Espírita por uma pessoa interessada em que fizéssemos para ela um talismã que lhe fechasse o corpo contra um “trabalho” que haviam feito contra ela. No entender daquela pessoa, no “Centro Espírita” é que se fazem estes trabalhos. O pedido permite-nos algumas reflexões.
Em primeiro lugar, podemos afirmar que alguns desinformados e outros mal intencionados, atribuem ao Espiritismo tais práticas. Já tratamos anteriormente deste assunto aqui e procuramos mostrar que a Doutrina Espírita, segundo a codificação de Allan Kardec, não se ocupa de coisas do tipo. Embora haja alguns ditos “centros espíritas” que realizem tais atitudes, estas não são, definitivamente, práticas espíritas. Em qualquer Centro Espírita que se dedica ao estudo sério da Doutrina não se encontrará quem se preocupe com tais atividades.
É evidente que não desconhecemos a ação magnética desempenhada pelos símbolos, imagens, patuás. Não se pode negar a sua influência. A origem de tais práticas está vinculada à vinda dos escravos negros para o Brasil. Foram eles que trouxeram esta prática fetichista para a nossa cultura. Aqui foram obrigados a miscigenar os seus hábitos e cultura com a religião dominante, provocando o surgimento do sincretismo religioso. No entanto, não há nada no Espiritismo que avalize tal prática. Misturar, pois, prática mediúnica verdadeiramente espírita com o mediunismo é não entender nada da Doutrina Espírita, até porque o Espiritismo nos diz que a maior força é Deus, de onde tudo provém a “causa primeira de todas as coisas”.
Assim, mais do que Deus ninguém pode. Ora, como nos diz o Apóstolo dos Gentios (Paulo): “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Assim, nossa ligação permanente com Deus é o melhor zíper para fechar o corpo. E a ligação com Deus se faz por intermédio do nosso próximo, conforme nos disse Jesus, ao nos ensinar a Lei Maior: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”. Então, para fecharmos definitivamente o nosso corpo devemos adotar a prática do bem como constante em nossa vida.
Com tal prática estaremos modificando a nossa sintonia, pela qual os obsessores atuam sobre nossa mente. É, pois, indispensável que modifiquemos nossa maneira de pensar, com a conseqüente mudança no modo de agir, para que fiquemos livres de influências negativas que sobre nós queiram determinar. No Livro dos Espíritos, questão nº 551, Allan Kardec pergunta aos espíritos: “Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo?” Resposta: “Não, Deus não o permitiria”.
Vê-se, pela resposta dos Espíritos, que a regra geral de Deus é não permitir a ação dos maus sobre os que não merecem, pelos seus pensamentos e atos, sofrer a influência negativa. Fechemos, pois, nosso corpo com bons atos, orações sinceras, pensamentos elevados, leituras edificantes e nada nos atingirá.
FELIPE SALOMÃO é bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN)
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